Indicador de registro de inadimplentes aponta mudança de tendência?

Por Flávio Calife, Economista da Boa Vista, administradora do SCPC

Os registros de inadimplentes iniciaram o primeiro quarto do ano em pequena elevação. A variação do primeiro trimestre de 2014 contra o mesmo período de 2013 foi de 2,4%. Em 2013, ano que ficou marcado pela redução dos registros, observamos queda de 6,6% na comparação com 2012. O gráfico 1 mostra as variações para o primeiro trimestre nos últimos três anos.

Registro 1

 

O ano de 2013 foi peculiarmente favorável para a queda dos registros. Para isso, alguns fatores foram determinantes. Em primeiro lugar, viemos de dois anos de crescimento relativamente alto (22,8% em 2011 e 4,5% em 2012), o que já causou automaticamente um efeito base sobre 2013. Em segundo lugar, pelo lado da oferta, os concedentes de crédito continuaram sua política de maior seletividade nas concessões, com vistas ainda a reduzir os efeitos da inadimplência sobre os seus resultados. Além de mais rigorosos, os concedentes de crédito também optaram pela migração para modalidades de menos risco, como o crédito consignado e o financiamento imobiliário.

Em terceiro lugar, pelo lado da demanda, apesar de um mercado de trabalho mais acomodado, o emprego e a renda real ainda mantiveram sua trajetória de crescimento. Além disso, o consumidor ainda aproveitou os efeitos de taxas de juros menores, pactuadas ainda no período de afrouxamento monetário, quando as taxas básicas de juros chegaram 7,25% ao ano.

Dos fatores citados, o único que aparentemente deve continuar contribuindo para o recuo dos registros é o rigor dos concedentes.

O aperto monetário já elevou os juros ao consumidor e o mercado de trabalho deve contribuir menos para a melhora do indicador do que no ano anterior.

O gráfico 2 mostra a tendência de longo prazo do indicador a partir da variação acumulada em 12 meses. Depois de vários períodos de variações negativas, nos últimos dois meses a variação acumulada aponta resultados positivos, 0,4% em fevereiro de 2014 e 2,0% em março.

Registro 2

 

Ainda é cedo para falarmos em mudança de tendência ou em crescimento significativo do indicador. O comportamento das variáveis condicionantes da inadimplência apontam para um ano de estabilidade ou pequeno crescimento do indicador de registros.

 

 

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