PIB recua 1,9% no segundo trimestre

Valor é referente à análise com ajuste sazonal contra o primeiro trimestre deste ano

Segundo o IBGE, o PIB (Produto Interno Bruto) retraiu 1,9% no 2T de 2015 na análise contra o trimestre imediatamente anterior, com os dados dessazonalizados, atingindo R$ 1,428 trilhão no período. O resultado veio praticamente em linha com as expectativas de mercado, que previa retração de 1,8% na análise trimestral com ajuste sazonal.

Já nos dados sem ajuste sazonal, na comparação contra o mesmo período do ano anterior (análise interanual), a queda foi de 2,6%. Com este valor, no acumulado do ano a retração econômica já atinge 2,1%. Quanto a análise da tendência – variação acumulada em 4 trimestres – o resultado passou de -0,9% no 1T de 2015 para -1,2% no segundo trimestre do ano.

Com relação aos resultados da oferta, na análise dos dados com ajuste sazonal, o pior desempenho foi do setor industrial que obteve forte queda de 4,3% no 2T de 2015 contra o 1T de 2015. Na mesma base de comparação, o setor de serviços retraiu 0,7% e a agropecuária caiu 2,7%. O principal componente da demanda, o consumo das famílias, obteve queda significante, 2,1% no trimestre, o pior resultado neste tipo de comparação desde o 1T de 1997 – quando caíra 2,5%. Já o consumo do governo e formação bruta de capital fixo obtiveram variações de +0,68% e -8,1%, respectivamente. Para o setor externo, as Exportações registraram nova alta, de 3,4, enquanto as Importações caíram 8,8%.

Os ajustes econômicos finalmente começam a surtir maiores efeitos na economia. A elevação dos juros já impacta diretamente o consumo, freando de maneira consistente o principal componente do PIB pelo lado da demanda, mas também impactando fortemente a formação de novos investimentos, que atingiu 17,8% do PIB – ante resultado de 19,7% mantida a base de comparação. Já o efeito cambial também mostra grandes efeitos nas categorias: enquanto as exportações crescem pelo segundo trimestre consecutivo na margem, as importações caem vertiginosamente neste segundo trimestre, com seu nível retornando a um patamar próximo ao observado ao longo de 2010. Contudo, o ajuste fiscal ainda não mostrou-se de forma efetiva nos dados de consumo do governo, produzindo provavelmente maiores efeitos somente a partir do próximo trimestre, o que deverá perdurar até meados de 2016.

Pela ótica da oferta, o principal componente, serviços, intensifica sua queda na avaliação acumulada em 4 trimestres. O setor passa atualmente por um ajuste de estoques, considerados altos em alguns de seus segmentos, reduzindo assim a capacidade produtiva do setor. A indústria – também negativa – aparenta reduzir o passo de queda, refletindo ainda timidamente o efeito do ajuste cambial sobre suas exportações, mas também da redução do custo unitário de trabalho, fator que deverá se intensificar nos próximos trimestre e aliviar as margens dos empresários. O setor agropecuário, por sua vez, apesar da queda marginal, mantém bons resultados e acelera na avaliação de tendência, sendo provavelmente o único setor a apresentar resultado positivo em 2015.

Com exceção do setor industrial, que poderá inflexionar sua tendência ainda neste ano, todos os demais setores, da oferta e os componentes da demanda deverão manter suas tendências, predominantemente de queda. Assim, por ora esperamos que PIB para 2015 se consolide em patamar negativo, por volta de -2,0%.

Os resultados citados encontram-se disponíveis na tabela resumida abaixo.

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