Varejo encerra ano com alta de apenas 2,2%

Por Yan Cattani e Juliane Reis, da equipe da Boa Vista SCPC

De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo IBGE, o volume de vendas no varejo restrito apresentou retração de 2,6% na comparação mensal de dezembro dos dados com ajuste sazonal. Comparando a série sem ajuste sazonal, a variação interanual (em relação ao mesmo mês do ano anterior) foi de 0,3%. Na análise do resultado acumulado em 12 meses, as vendas registraram 2,2%, mantendo o perfil de desaceleração verificado nos últimos meses, com redução de 0,4p.p frente a novembro, mantida base de comparação.

Através da análise dos dados dessazonalizados, verifica-se queda generalizada das categorias. O destaque ficou com “Móveis e Eletrodomésticos”, que caiu 9,9%. “Livros, jornais revistas e papelaria” praticamente devolveu o crescimento de novembro (quando cresceu 11,5%):  em dezembro apresentou queda de 9,2%. As demais categorias ficaram configuradas da seguinte maneira: “Materiais para escritório” (-8,8%), “Tecidos, vestuário e calçados” (-7,3%); “Outros” (-2,7%); “Artigos farmacêuticos” (-1,1%); “Combustíveis e lubrificantes” (-0,5%) e “Hipermercados e supermercados” (-0,1%). Já para o resultado ampliado do varejo, isto é, incluindo as vendas de materiais de construção e de veículos automotores, também houve queda, de 3,7%.

O varejo consolidou o fraco resultando desempenhado ao longo do ano. A fraca atividade econômica, desaceleração do crescimento do crédito, pressão inflacionária e baixa confiança na economia contribuíram para que o comércio apresentasse seu menor resultado desde 2003.

Para 2015, o cenário não é dos melhores: enquanto perdurarem as medidas corretivas (fiscal e de crédito), o comércio sofrerá as consequências, pois além de maior dificuldade em termos de tributação e acesso ao crédito, o setor continuará a lidar com alto nível de preços e piora do mercado de trabalho – que certamente apresentará elevação do desemprego e desaceleração dos rendimentos reais. Passado o efeito inicial dos ajustes, espera-se que o pessimismo na economia sofra alguma inflexão no segundo semestre, amenizando os fatores negativos. Sendo assim, por ora esperamos crescimento de 1,5% nas vendas varejistas.

PMC 01.12.2014

 

Tabela PMC 01.12.2014

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