Alimentos voltam a pressionar inflação

Por Marcel Caparoz, da RC Consultores

A inflação oficial ao consumidor (IPCA) voltou a subir em setembro, com alta de 0,57% no mês, fazendo com que a variação acumulada em 12 meses alcançasse o patamar de 6,75%, o maior valor dos últimos três anos. No mês, destaque para a retomada dos preços dos alimentos, com alta de 0,78%, após três meses consecutivos de queda.

A pressão sobre os preços segue forte, e deve permanecer assim em 2015. Os itens administrados pelo governo, como gasolina e energia elétrica, devem subir ainda mais no próximo ano. Segundo levantamento da RC Consultores, a defasagem entre o preço interno e externo da gasolina em setembro era de R$ 0,19. Desde janeiro de 2011 os preços internos da gasolina têm sido mantidos abaixo do preço internacional, prejudicando a Petrobras. A forte estiagem que atinge principalmente a região Sudeste do País gerou forte elevação do custo de produção da energia elétrica, e agora já começa a impactar o preço dos alimentos, mais especificamente da carne bovina. A recente queda das cotações internacionais das commodities agrícolas pode restringir uma alta mais significativa dos alimentos ao consumidor, mas este efeito pode ser anulado com a recente desvalorização do real. A inflação no Brasil ainda não está em processo de convergência para o centro da meta de 4,5% ao ano.

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