Após 53 anos, EUA e Cuba reatam relações

Por Paulo Rabello de Castro, da RC Consultores

Depois de 18 meses de negociações secretas, apoiadas pelo papa Francisco, os presidentes dos EUA e Cuba anunciaram que as relações diplomáticas serão reatadas. Num gesto de reaproximação, Washington liberou três agentes cubanos e Havana soltou duas pessoas que mantinha presas em Cuba. Embora o anúncio de ontem seja o primeiro passo para normalizar as relações, prossegue o embargo econômico que os EUA mantêm sobre a ilha. O fim do embargo econômico depende do Congresso americano, pois é regido por lei, ainda que o presidente Obama tenha autoridade para eliminar várias restrições econômicas.

Obama demonstrou pragmatismo e uma forte veia oportunista. O anúncio demonstra a clara intenção dos EUA de construir relações de cooperação com a América Latina. O cenário econômico atual, com o preço do petróleo e outras commodities em queda livre e a economia dos EUA em recuperação, abre caminho para uma “dominação branda” da diplomacia americana, numa era pós-militar na geopolítica planetária. A América Latina está se movendo (ou sendo empurrada) em direção a uma política mais liberal e pró-mercado. O populismo e o intervencionismo econômico nos governos locais estão perdendo força e a queda dos preços do petróleo irá acelerar mudanças políticas em vários países. A maré está mudando rumo à “Aliança do Pacífico”. As próximas eleições presidenciais nos EUA também podem trazer uma agenda mais voltada para a América Latina. A atual decisão de descongelar as relações com Cuba cria uma enorme oportunidade para os EUA recuperarem credibilidade e respeito na região. Há vencedores e grandes perdedores na retomada nas relações EUA-Cuba. Os países da Aliança do Pacífico vencem. Perdedores óbvios são Maduro e Kirchner, mas não a Venezuela e a Argentina, que podem se livrar deles em breve. O Brasil é um perdedor menor, deixado de lado como força predominante em Cuba. Mas para o Brasil, esta derrota ainda pode se transformar em algum tipo de cooperação.

Comentários

comentários

Posts relacionados

Boa Vista SCPC: Demanda por Crédito do Consumidor sobe 1,4% em janeiro

Contudo, na avaliação dos valores acumulados em 12 meses houve queda de 9,2% A Demanda por Crédito do Consumidor, de acordo com dados nacionais da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), aumentou 1,4% em janeiro, na avaliação dessazonalizada contra dezembro. Porém, na avaliação dos valores acumulados em 12 meses (fevereiro de 2016…

Boa Vista SCPC: recuperação de crédito sobe 3,0% em janeiro

O indicador de recuperação de crédito – obtido a partir da quantidade de exclusões dos registros de inadimplentes da base do crédito– apontou elevação de 3,0% na análise mensal contra dezembro, descontados os efeitos sazonais. Já na variação acumulada em 12 meses apresentou alta de 2,7%, enquanto na análise interanual (mesmo mês de 2016) houve…

81% dos consumidores esperam que em 2017 a relação entre recebimento e gastos melhore, segundo Boa Vista SCPC

A maioria dos entrevistados (81%) na Pesquisa Perfil do Inadimplente, da Boa Vista SCPC, espera que em 2017 a relação entre recebimentos e gastos esteja melhor do que a existente no 4º trimestre de 2016, período no qual o levantamento foi elaborado contendo a participação de consumidores de todo o país. Em dezembro de 2015,…