Argentina não chega a acordo com credores

Por José Valter Martins de Almeida, da RC Consultores

O mediador Daniel Pollack, designado pelo juiz americano para as negociações entre o governo argentino e fundos que não aceitaram participar da renegociação da dívida em 2010, anunciou ontem, depois de longas horas de negociações, que a Argentina não tinha chegado a um acordo com os credores, entrando em default. A polêmica em torno da dívida argentina pode ser resumida da seguinte forma: em 2005, quatro anos após ter decretado calote de US$ 81 bilhões, o governo de Buenos Aires reestruturou sua dívida, que conheceu uma segunda fase em 2010. No total das duas fases conseguiu renegociar 92% dos títulos de dívida. O problema é que os 8% restantes estão na posse de fundos de investimento que exigem o pagamento da dívida na sua forma original. O Tribunal de Nova Iorque – a dívida argentina foi emitida ao abrigo da lei norte-americana – deu razão aos fundos, obrigando a Argentina a pagar tudo o que deve e suspendeu a tranche que o governo tinha transferido para pagar aos credores que aceitaram renegociar a dívida.

A decisão terá consequências não apenas para a Argentina. O caso estabelece um precedente legal, porque daqui pra frente torna-se possível que um único credor possa por em causa uma renegociação coletiva com todos os outros. Isso aumentará a resistência dos investidores na hora de participarem voluntariamente em uma reestruturação de dívida. Para a Argentina, a atividade econômica vai desacelerar, podendo ser dramática. A inflação anual, que já ronda os 25%, deve avançar, e o peso deve ter desvalorizações adicionais. A balança comercial vai ser a principal fonte de dólares para a Argentina. Com isso, as relações comerciais com o Brasil, que já não eram tranquilas, tendem a ficar ainda mais tensas. As exportações para a Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Brasil, que eram muito relevantes, vêm caindo ano a ano, chegaram a 8,2% do total de nossas exportações em 2013, caíram para 6,9% este ano, cairão ainda mais.

Comentários

comentários

Posts relacionados

Percentual de cheques devolvidos atingiu 2,06% em fevereiro, segundo Boa Vista SCPC

O número de cheques devolvidos (segunda devolução por falta de fundos) como proporção do total de cheques movimentados atingiu 2,06% em fevereiro, registrando diminuição em relação a fevereiro de 2016, quando alcançou 2,22%. O percentual de cheques devolvidos sobre movimentados também recuou na comparação mensal (em janeiro o nível foi de 2,07%), sendo o resultado…

Boa Vista SCPC: Demanda por Crédito do Consumidor cai 4,0% em fevereiro

A Demanda por Crédito do Consumidor caiu 4,0% em fevereiro, na avaliação dessazonalizada contra janeiro, de acordo com dados nacionais da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Contudo, na avaliação dos valores acumulados em 12 meses (março de 2016 até fevereiro de 2017 frente aos 12 meses antecedentes) houve retração de 9,5%,…

Movimento do Comércio cai 1,0% em fevereiro, diz Boa Vista SCPC

Informações do varejo apuradas pela Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), apontam que o Movimento do Comércio caiu 1,0% em fevereiro, considerando os dados mensais com ajuste sazonal. Na avaliação acumulada em 12 meses (março de 2016 até fevereiro de 2017) houve queda de 3,8% frente aos 12 meses antecedentes. Já na…