Arrombou a festa

Por Bruna Martins e Flávio Calife, da área de Indicadores e Estudos Econômicos da Boa Vista SCPC

Ai, ai, meu Deus/ o que foi que aconteceu/ com as contas públicas brasileiras? A paródia sobre a música de Rita Lee reflete os resultados fiscais divulgados hoje pelo Banco Central (BC). Bem distante da meta fiscal do início do primeiro mandato da presidente Dilma (de 3,1% do PIB), 2014 já começou com uma obrigação mais branda. As contas públicas deveriam atingir um superávit primário de R$ 99 bilhões, cerca de 1,9% do PIB. Entretanto, após o resultado deficitário de R$ 25,5 bilhões em setembro, o governo revisou a meta…qualquer resultado seria satisfatório.

Mas o desempenho fiscal não será bem recebido. O resultado primário do ano foi deficitário em R$ 32,5 bilhões, 0,63% do PIB. E a situação é ainda mais alarmante quando observado o resultado fiscal nominal, que inclui os gastos com os juros, pois atingiu o pior resultado da série do BC com déficit de R$ 343,9 bilhões, 6,7% do PIB ante 3,25% registrado em 2013. A situação da dívida líquida não foi melhor, desde 2009 o governo não encerrava o ano com resultado pior do que do ano anterior.

2014 foi marcado por recordes negativos. E não foi apenas pela performance de dezembro. Ao longo do ano as contas públicas foram se deteriorando, mas apenas aos olhos do mercado. Até meados de novembro os representantes do governo ainda garantiam a possibilidade de superávit primário. O resultado compromete muito a avaliação de risco do país e pode agravar ainda mais o já combalido cenário econômico. A nova equipe econômica estipulou uma meta de superávit primário de 1,2% do PIB para 2015, mas o atual secretário do tesouro ainda não sabe exatamente como chegar a esse número. “Todos falam a sério, todos levam a sério, mas esse sério parece brincadeira”.

Comentários

comentários

Posts relacionados

CAGED: Setembro registra sexto saldo positivo consecutivo

Segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho, em setembro o saldo de vagas no mercado de trabalho (diferença entre novas contratações e demissões) foi positivo em 34,4 mil postos. Deste modo, a leitura atual contrasta quando comparado ao mesmo período do ano anterior, quando foram encerradas 39,3…

Movimento do Comércio sobe 1,5% em setembro

O Indicador Movimento do Comércio, que acompanha o desempenho das vendas no varejo em todo o Brasil, subiu 1,5% em setembro quando comparado a agosto na análise com ajuste sazonal, de acordo com os dados apurados pela Boa Vista SCPC. Na avaliação acumulada em 12 meses (outubro de 2016 até setembro de 2017 frente ao…

IBC-BR recua 0,38% em agosto e 1,0% no acumulado 12 meses

18 de outubro 2017 – Segundo o Banco Central, o indicador antecedente da atividade econômica (IBC-BR[1]) recuou 0,38% na comparação mensal contra o mês de julho (dados dessazonalizados). Considerando a variação acumulada em 12 meses, o ritmo de queda segue diminuindo: a leitura de agosto apresentou um recuo de 1,0% (após registrar queda de 1,4%…