BC vê "espuma" no câmbio, mas mira no aumento do combustível

 

Por Paulo Rabello de Castro e Fábio Silveira

Os termos “gordura” e “espuma” têm sido usados por diretores do BC para qualificar o nível do câmbio próximo a R$2.10, indicando que o BC atuará nessa faixa para conter o avanço da cotação. Ontem, a taxa fechou a R$2,078 por atuação do Banco. Está mais clara a preocupação do BC com a trajetória da inflação, não porque tema evolução descontrolada, e sim por desejo de conservar espaço para futuros rebaixamentos no juro básico, e com isso, empurrar o crescimento em 2013, meta prioritária do Planalto.

O câmbio sob controle ajudaria em várias frentes. Uma delas, no reajuste programado do preço dos combustíveis, para repor capacidade de investimento à Petrobras. Cálculos publicados hoje pela RC Consultores na mídia apontam defasagem de 11% na gasolina ao nível da refinaria. A diferença para menos já chegou a 27% em meados deste ano. A queda do preço do barril lá fora encurtou a distância até o equilíbrio. Ontem o barril veio a US$85,5 em NY, menor cotação em muitos meses, denotando oferta plena e demanda contida por recessões espalhadas em vários continentes. Ficou menos difícil para o governo acertar o aumento do preço interno em 2013.

Ed.87

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