Brasil e Zona do Euro na contramão

Por Thiago Custódio Biscuola, da RC Consultores

O crescimento da economia norte americana, que na estimativa preliminar já havia sido muito bom, se mostrou ainda melhor. O taxa de expansão do PIB no segundo trimestre em termos anuais foi revisado de 4% para 4,2%, contrariando a expectativa do mercado, que era de redução para 3,8%. Após ver a economia ser prejudicada no primeiro trimestre pelo inverno rigoroso, os EUA parecem ter entrado num ciclo virtuoso de crescimento, puxado principalmente pela indústria, cuja variação em 12 meses ultrapassa a faixa de 3,5% a.a. Já a economia da Zona do Euro estagnou no segundo trimestre, reacendendo a luz amarela.

Amanhã o IBGE divulgará o resultado do PIB brasileiro do segundo trimestre. O consenso geral do mercado é que a economia registrará queda do nível de atividade em relação ao trimestre anterior. A RC Consultores estima uma retração de cerca de 0,3% para o período. Em relação a igual trimestre do ano anterior, o PIB poderá registrar a primeira queda desde 2009. Efetivamente a atividade foi, em alguma medida, prejudicada pelo menor número de dias úteis devido à realização da Copa do Mundo. Cabe ressaltar, além disso, que os níveis de confiança há tempos não estavam tão baixos. Após a confiança do empresário industrial registrar o pior nível desde 2009, agora foi a vez do setor de serviços. O índice de confiança para o segmento, apurado pela FGV, atingiu 104 pontos em agosto, o menor nível desde abril de 2009. A expectativa é de um segundo semestre ligeiramente melhor para a indústria e comércio. No entanto, não serão suficientes para evitar mais um ano perdido para economia brasileira, com crescimento abaixo de 1%. Enquanto nos EUA a economia mostra dinamismo, o Brasil se aproxima do modesto desempenho europeu.

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