Confiança dá trégua, mas comércio ainda não reage

Por Bruna Martins

Nos últimos meses, os indicadores de confiança vêm oferecendo uma certa trégua. Apesar de altos e baixos, o Indicador de Confiança do Consumidor da FGV manteve-se relativamente estável a partir de outubro de 2015, enquanto o comércio seguiu ladeira abaixo.

O descontentamento com a atual situação econômica e com as incertezas que pairam no campo político refletem diretamente nos indicadores de confiança e, consequentemente, modificam o comportamento dos consumidores. Com o orçamento mais apertado, devido ao aumento do desemprego, dos juros e da inflação, e sem perspectiva de melhora no curto prazo, os consumidores tiveram que readequar suas despesas à atual realidade. O comércio que o diga.

O Indicador de Movimento do Comércio, divulgado ontem pela Boa Vista SCPC, apontou recuo de 7,1% no 1º trimestre de 2016 em comparação com o mesmo período do ano passado. No acumulado em 12 meses, a tendência de queda foi intensificada em 0,3 p.p., atingindo -4,5%.

Responsável por puxar o crescimento econômico até 2014, o comércio demorou mais que os outros setores para perceber a situação que a economia se encontrava e, por isso, a adaptação do setor tem sido demorada. Apesar da trégua, a confiança continua bem distante da média histórica, e uma retomada de esperança a ponto de impactar as vendas do varejo só é plausível em um cenário com menos incertezas políticas e econômicas. Dado o cenário de transição, está na hora do comércio começar a reagir.

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