Crédito mais caro para as famílias

Por Marcel Caparoz, da RC Consultores

A concessão de crédito no Brasil está ficando cada vez menor e mais cara, segundo informações divulgadas hoje pelo Banco Central do Brasil (BC). O ritmo de crescimento do saldo de crédito em novembro de 2014 foi de 4,7%. Em 2013 crescia na casa dos 8,0%. Além disso, o juro médio cobrado não para de subir. Em novembro de 2014 as pessoas físicas pagaram um juro médio de 44% nos recursos livres, com destaque para a indecente taxa do cheque especial, que já é 191,6%, a maior da série divulgada pelo BC.

As instituições financeiras do país estão mais seletivas na concessão de crédito novo, em função do menor ritmo de crescimento econômico e de uma provável deterioração do mercado de trabalho e da renda real das famílias. Esta estratégia tem impedido um aumento da inadimplência oficial no Brasil, que ainda permanece baixa e estável no patamar de 3,0%. No entanto a situação demanda atenção. Muitas empresas já estão renegociando suas dívidas, buscando ampliar o prazo dos vencimentos a fim de evitar um estresse financeiro. As famílias permanecem endividadas, porém com expectativa de crescimento do salário real menor e com um custo financeiro cada vez maior. O grande apelo para as compras que ocorre nessa época do ano não será suficiente para amenizar essa fragilidade estrutural. Tanto que a expectativa de crescimento das vendas de Natal já começa a ser revista pelo comércio. Nos shoppings, a expectativa é de crescimento real de 2,5% em 2014, contra uma alta de 5,0% de 2013, segundo a Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping).

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