Defasagem dos combustíveis reduz capacidade de investimento da Petrobras

Por Thiago Custódio Biscuola, da RC Consultores

O reajuste dos combustíveis concedido no final do ano passado não foi suficiente para garantir a convergência entre os preços externo e interno. O aumento do preço internacional e a desvalorização de 4,5% do câmbio médio entre novembro de 2013 e fevereiro de 2014 anularam os efeitos da elevação de 4% no preço da gasolina. A diferença estimada pela RC Consultores entre o preço de realização externo e interno desse combustível alcança em fevereiro R$ 0,29/ litro, o que representa um patamar 17% inferior ao praticado nos EUA (referência de preço internacional).

Apesar da recente valorização da moeda brasileira, o cambio médio este ano deverá oscilar em torno de R$ 2,40 por dólar. Dado este novo patamar, o caixa dos produtores brasileiros, principalmente da Petrobras, seguirá pressionado. Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo), a receita de exportação de petróleo e derivados teve queda de 26,5% em 2013, enquanto o dispêndio com importações destes itens tiveram incremento de 14,1%. O déficit que havia sido de apenas US$ 0,4 bi em 2012 passou para US$ 13,1 bi no ano passado. A Petrobras, por sua vez, registrou um déficit comercial de US$ 24,4 bi em 2013, quase o triplo do registrado no ano anterior. Embora seja esperada uma melhora deste quadro em 2014, tal conjuntura continuará impactando negativamente o desenrolar do plano de investimentos da estatal brasileira e, consequentemente, dos investimentos produtivos no País como um todo.

Ed.371

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