Dilema inflacionário

Por Yan Cattani

Gradualmente o desastre inflacionário de 2015 vem sendo minguado neste ano. Diversos são os fatores que têm contribuído para este acontecimento, especialmente o efeito “base de comparação” das reversões dos preços dos bens e serviços administrados, a própria recessão econômica e uma “ajudinha” cambial.

Contudo, em maio observamos praticamente uma estabilidade dos preços acumulados nos últimos 12 meses. De acordo com o IBGE, a apuração do resultado da inflação oficial (IPCA) de maio foi de 9,32%, resultado que ficou um pouco acima do registrado em abril (9,28%). E com relação apenas à variação mensal, vimos um aumento mensal de 0,17p.p. atingindo 0,78%, a taxa mais alta para maio desde 2008.

Será que o arrefecimento dos preços continuará como antes nos próximos meses? Provavelmente não. Este racional é derivado do fato de que as políticas implementadas pela autoridade monetária possuem um horizonte de eficácia mínimo de 6 meses e entende-se, portanto, que não haverá tempo hábil para arrefecimento da inflação se considerados apenas os efeitos do ciclo monetário.

As expectativas de alteração dos juros são remotas para a próxima reunião do COPOM (que ocorre amanhã) e com isso a dinâmica da inflação passará a depender quase que na totalidade da influência de fatores exógenos da economia, como câmbio, preço de commodities, entre outros.

O resultado do mês ainda está distante da proposta estabelecida pelas metas de inflação (até 6,5% no ano) e até mesmo do resultado consenso de mercado medido pelo relatório Focus do BC divulgado no início da semana, que prevê um IPCA de 7,12% para 2016. Com o resultado de hoje, possivelmente as expectativas poderão ser majoradas ainda para este ano, pois além do menor ritmo de queda dos preços, passamos a computar desde a última semana uma retomada mais rápida do que a prevista para o PIB, fator que deverá reacelerar

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