Emprego cresce nos EUA, mas não convence Fed

Por José Valter Martins de Almeida, da RC Consultores

Foram criados 288 mil empregos na economia americana em junho, segundo dados divulgados esta manhã pelo Departamento de Trabalho do governo, bem acima da média de contratações registrada nos primeiros cinco meses de 2014. A taxa de desemprego caiu para 6,1%, perto da mínima em seis anos. Desde a década de 90, foi a primeira vez que a criação de empregos cresceu a um ritmo acima de 200 mil vagas durante cinco meses consecutivos.

Ao longo de 2013 o FED destacava em seus comunicados o compromisso de manter a taxa de juros baixa até a taxa de desemprego retornar aos 6,5%. Esse número já foi atingido. No entanto, a atual presidente, Janet Yellen, sinalizou que tem na cabeça outros parâmetros para voltar a subir juros. Segundo Yellen, o patamar em torno de 6,5% não reflete a real fragilidade do desemprego e subemprego no país. Ontem, num evento do FMI, Yellen reforçou sua ideia de que a prioridade é o emprego e que ainda é cedo para alterar o atual patamar de juros, mas admite usar este instrumento para lidar com bolha de ativos. Yellen diz ver “no momento a necessidade de a política monetária desviar o foco de obter estabilidade de preços e máximo emprego para enfrentar preocupações em relação à estabilidade financeira”. Descartou, pelo menos no curto prazo, a elevação de juros para conter preços de ativos. Mas devemos ficar atentos aos riscos de crédito de empresas e países. As taxas de juros artificialmente baixas da atualidade não refletem os riscos embutidos nas dívidas corporativas ou soberanas.

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