Fim do cabo de guerra

Por Yan Cattani, da área de Indicadores e Estudos Econômicos da Boa Vista SCPC

“Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 12,25% a.a., sem viés”. Esta foi a frase emitida pelo Banco Central (BC) ontem, que optou pela manutenção do ciclo de aperto monetário. A decisão já era esperada pelo mercado, uma vez que a inflação fechou 2014 em 6,41%, patamar de preços considerado elevado e muito próximo ao teto da meta (6,50%).

Este foi o comunicado mais breve da autoridade monetária na gestão Tombini. Mesmo sem explicar muito, a nota acabou dizendo tudo o que o mercado financeiro queria ouvir, suprimindo a parte que ressaltava uma implementação a ser realizada “com parcimônia”. Após enfrentar um cenário que estourou o teto da meta durante praticamente 6 meses no ano passado, a simplificação acabou por sinalizar alterações importantes da postura da autoridade monetária.

Foi, portanto, uma atitude bastante hawkish – para utilizar termos mercadológicos. O empenho em demonstrar um comprometimento com a meta de inflação dá maior credibilidade ao BC, abalada nos últimos 4 anos, além de sincronizar-se à visão da Fazenda. Talvez seja cedo para declarar fim do cabo de guerra entre as instituições, mas sem dúvidas os ajustes, fiscal e monetário, caminham juntos para melhoria da confiança na economia como um todo. Contudo, é importante contrabalancear a expectativa otimista através das variáveis condicionantes externas. A reunião de hoje do Banco Central Europeu deverá concretizar o afrouxamento monetário na Zona do Euro, aumentando a liquidez mundial, um fator positivo para as economias como o Brasil. Na contramão, os Estados Unidos gradativamente retiram os estímulos monetários, a crise na Rússia ofusca investimentos estrangeiros nos países emergentes e a drástica queda do preço do petróleo afeta bilhões de dólares em investimentos por aqui. Esta constelação de fatores ainda está longe de se resolver, mas por ora, façamos apenas a lição de casa.

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