Fim dos estímulos monetários americanos pressiona economias emergentes

Por Flávio Calife e Yan Cattani, da área de Indicadores e Estudos Econômicos da Boa Vista SCPC

O comitê de política monetária do Banco Central americano sinalizou ontem que deverá elevar os juros já em meados de 2015. A notícia, um pouco ofuscada pelo atentado terrorista na França, também não trouxe grandes novidades: a regra para o aumento dos juros já havia sido divulgada em 2014, atrelando o desempenho do mercado de trabalho à elevação das taxas, fato até então inédito para os bancos centrais ao redor do mundo. Como a economia dos EUA vem mostrando ao mercado consistente recuperação, crescendo em torno de 3,5% no terceiro trimestre de 2014 (em termos anualizados), acompanhada da redução da taxa de desemprego, o fim dos estímulos monetários é iminente.

Para os países emergentes, a notícia não é das melhores. A inundação de dólares no mercado mundial proporcionou durante um bom tempo uma onda de investimentos estrangeiros nestes países, fator que deverá ser reduzido com a elevação dos juros da principal economia do mundo. O Brasil, que já não enfrenta circunstâncias macroeconômicas internas confortáveis, também terá que lidar com uma piora dos indicadores externos. O câmbio (real/dólar), que nos últimos meses já sofreu desvalorização acima de 10%, ainda deverá sofrer maior depreciação ao longo do ano. No curto prazo, os efeitos mais nítidos serão uma pressão inflacionária sobre os bens de consumo devido ao encarecimento dos produtos importados e uma queda dos investimentos na indústria de bens de capital, já combalida, conforme mostram os dados divulgados hoje pelo IBGE sobre a produção industrial.

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