Geração de vagas tem pior mês de junho em 16 anos

Por Thiago Custódio Biscuola, da RC Consultores

O fraco desempenho da economia brasileira este ano tem se refletido cada vez mais no mercado de trabalho. Segundo dados divulgados ontem pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram criados apenas 25,4 mil postos de trabalho em junho. Este é o pior resultado para o mês desde 1998. A indústria praticamente repetiu o resultado de maio, com o fechamento líquido de 28,5 mil vagas. O comércio, por seu turno, demitiu 7 mil a mais do que contratou. Com este resultado, o primeiro semestre fechou com uma geração líquida de 588,7 mil vagas (considerando as informações entregues pelas empresas fora do prazo), patamar 28,7% inferior ao verificado em 2013, quando foram criadas 826,1 mil vagas.

O sinal amarelo no mercado de trabalho parece estar migrando para o vermelho. A indústria de transformação não terá uma melhora significativa no segundo semestre. A geração líquida de vagas acumulada em 12 meses do setor entrou em campo negativo pela primeira vez desde 2009, registrando o encerramento de 34 mil vagas. O comércio, que já fechou 58 mil vagas em 2014, deve ver esse resultado piorar quando contabilizar a demissão dos temporários da Copa. Os serviços e o setor agropecuário continuarão tendo contribuição positiva, mas num ritmo cada vez menor. Depois de seguidos anos de forte crescimento, a geração líquida de vagas deve encerrar este ano bem distante dos 1,5 milhão de vagas previstas até pouco tempo pelo Ministério do Trabalho. Com sorte, deve superar metade da previsão.

Comentários

comentários

Posts relacionados

Movimento do Comércio sobe 1,5% em setembro

O Indicador Movimento do Comércio, que acompanha o desempenho das vendas no varejo em todo o Brasil, subiu 1,5% em setembro quando comparado a agosto na análise com ajuste sazonal, de acordo com os dados apurados pela Boa Vista SCPC. Na avaliação acumulada em 12 meses (outubro de 2016 até setembro de 2017 frente ao…

IBC-BR recua 0,38% em agosto e 1,0% no acumulado 12 meses

18 de outubro 2017 – Segundo o Banco Central, o indicador antecedente da atividade econômica (IBC-BR[1]) recuou 0,38% na comparação mensal contra o mês de julho (dados dessazonalizados). Considerando a variação acumulada em 12 meses, o ritmo de queda segue diminuindo: a leitura de agosto apresentou um recuo de 1,0% (após registrar queda de 1,4%…

Volume de serviços recua 1,0% em agosto e 4,5% no acumulado 12 meses

Segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, o volume de serviços apresentou queda de 1,0% em agosto contra o mês anterior (dados dessazonalizados). A categoria de serviços prestados às famílias foi a única a apresentar queda (-4,8%), bastante atípica para o mês considerando o histórico da série. Os demais grupos apresentaram crescimento: Serviços…