Há um equilíbrio possível?

O atual jogo entre o Executivo e o Legislativo, principalmente sobre o dilema dos cortes orçamentários, pode não ser o ideal para os interesses da sociedade. Aparentemente, John Nash está cada vez mais vivo no cenário político brasileiro. Segundo a teoria explicada pelo brilhante matemático, em 1951, conhecida como o Equilíbrio de Nash, os jogadores tomam as melhores decisões em função do comportamento ótimo de seus concorrentes ou adversários. Mas nem sempre o equilíbrio de Nash é o desejável, principalmente em um ambiente político de coalização.

Quando observamos o processo orçamentário brasileiro sobre o prisma dos jogos repetidos, percebemos que esse equilíbrio pode ser nocivo. Isso acontece, por exemplo, quando o Executivo promete não contingenciar recursos orçamentários de interesse do Legislativo em troca de um apoio incondicional.

A situação oposta também é verdadeira. Devido à atual necessidade do ajuste fiscal para a retomada de confiança, o Executivo foi obrigado a propor medidas de contingenciamento de emendas parlamentares. Com isso, o Legislativo se sentiu motivado a barganhar projetos de seu próprio interesse que até então estavam adormecidos.

Essa coalizão pode causar distorções ao distribuir os recursos orçamentários em proveito apenas dos jogadores, e não da sociedade, tornando essa cooperação um novo equilíbrio possível, que nem sempre é o ideal. De acordo com Nash, o Legislativo está fazendo o melhor que pode em função daquilo que o Executivo está fazendo. O provável desfecho do ajuste fiscal está muito mais próximo do possível do que do desejável.

Comentários

comentários

Posts relacionados

Movimento do Comércio sobe 1,5% em setembro

O Indicador Movimento do Comércio, que acompanha o desempenho das vendas no varejo em todo o Brasil, subiu 1,5% em setembro quando comparado a agosto na análise com ajuste sazonal, de acordo com os dados apurados pela Boa Vista SCPC. Na avaliação acumulada em 12 meses (outubro de 2016 até setembro de 2017 frente ao…

IBC-BR recua 0,38% em agosto e 1,0% no acumulado 12 meses

18 de outubro 2017 – Segundo o Banco Central, o indicador antecedente da atividade econômica (IBC-BR[1]) recuou 0,38% na comparação mensal contra o mês de julho (dados dessazonalizados). Considerando a variação acumulada em 12 meses, o ritmo de queda segue diminuindo: a leitura de agosto apresentou um recuo de 1,0% (após registrar queda de 1,4%…

Volume de serviços recua 1,0% em agosto e 4,5% no acumulado 12 meses

Segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, o volume de serviços apresentou queda de 1,0% em agosto contra o mês anterior (dados dessazonalizados). A categoria de serviços prestados às famílias foi a única a apresentar queda (-4,8%), bastante atípica para o mês considerando o histórico da série. Os demais grupos apresentaram crescimento: Serviços…