Inatividade econômica

Os resultados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgados ontem pelo IBGE, mostraram que 2015 teve o pior desempenho da série histórica (iniciado em 2000), com queda de 4,3%. Com apenas um único setor mantido em patamares positivos, as vendas de produtos farmacêuticos, o varejo deverá recordar-se de 2015 como um ano de consecutivos recordes negativos.
Enquanto as vendas de itens de necessidade básica, como vestuário e alimentação, obtiveram quedas de 8,7% e 2,5%, as vendas de bens duráveis apresentaram impressionantes retrações, principalmente pelas vendas de automóveis e móveis e eletrodomésticos, cujas quedas atingiram 14% e 17,8%, respectivamente.

Sendo o comércio o principal item da categoria de serviços – que também não apresenta resultados animadores em outras frentes – a retração do setor já é dada como certa. Além disso, em outros setores da economia a situação também é complicada. Enquanto no âmbito da indústria o desempenho da produção é ainda mais desanimador (com queda registrada de 8,3% no período), no setor agropecuário há alguma perspectiva de crescimento, impulsionada principalmente pela desvalorização do real frente ao dólar ao longo de 2015. Ainda assim, seu desempenho é pouco relevante para atividade econômica agregada, com cerca de 6% do total.

As perspectivas para o resultado oficial do PIB (a ser divulgado na primeira semana de março pelo IBGE) que já eram pessimistas deverão tornar-se ainda piores. Segundo os dados divulgados hoje pelo Banco Central, o principal indicador antecedente da atividade econômica (IBC-BR) apresentou queda de 4,1% em 2015. Levando também em consideração as expectativas do boletim Focus do BC desta última segunda-feira (15/01, que apresentou uma retração econômica no ano na ordem de 3,7%), o resultado oficial do PIB deverá mostrar-se, na melhor das hipóteses, em linha com essas projeções. Sem perspectivas de melhora no curto prazo, o ano de 2015 é um forte candidato ao ano que não acabou.

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