Inflação mostra resistência e BC promete reação

Por Thiago Custódio Biscuola, da RC Consultores

O IBGE divulgou hoje o resultado do IPCA-15 para o mês de outubro. O índice registrou alta de 0,48%, com destaque negativo para os alimentos, que tiveram contribuição de 0,17p.p no mês. No ano, este índice acumula alta de 4,46%, nível ligeiramente inferior ao registrado no ano passado (+ 4,49%). Em doze meses o IPCA-15 acumula alta de 5,75%, afastando-se gradualmente do teto da meta. Por outro lado, o setor de serviços se manteve em patamar muito elevado, atingindo 8,81% em 12 meses.

Este resultado reitera a preocupação do BC quanto a um foco inflacionário resistente. Ontem foi divulgada a ata da reunião de outubro do Comitê de Política Monetária do Banco Central, e a leitura da RC Consultores é que o ritmo de aperto nos juros deverá ser mantido na próxima reunião em novembro. Um novo aumento de 0,5p.p. elevaria novamente a SELIC aos dois dígitos, passando dos atuais 9,5% para 10% a.a. Com a perspectiva de um maior afrouxamento fiscal em 2014, ano de eleições, e o advento da realização da Copa do Mundo, a economia brasileira sofrerá um empuxo excepcional na demanda agregada. Dada uma oferta ainda restrita, tal cenário acarretará numa pressão sobre os preços de serviços, que continuarão rodando acima de 8%. Mesmo que haja um arrefecimento dos alimentos, outro foco inflacionário, os preços administrados seguem represados, reforçando a hipótese de que a inflação (IPCA) em 2014 se aproxime novamente dos 6%. Esta resistência forçará o BC a manter uma política restritiva no próximo ano, fazendo dos dois dígitos um benchmark em 2014.

Ed.295

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