Inflação à vista (e a prazo)

Por Yan Cattani e Bruna Martins, da equipe da Boa Vista SCPC

A apuração do resultado da inflação oficial (IPCA), divulgada hoje pelo IBGE, atingiu 7,70% em 12 meses. Na análise mensal, houve elevação de 1,22% em fevereiro de 2015, o maior aumento registrado para o mês desde 2003. O período, que já contava com sazonalidade desfavorável para a categoria de educação, sofreu elevação adicional decorrente do reajuste de preços administrados (gasolina e diesel, que tiveram aumento nas alíquotas do PIS/ Cofins).

Este foi o impacto mais nítido derivado das ações de ajuste fiscal iniciadas este ano. Já para março podemos esperar novo reajuste: as tarifas de energia elétrica. A alta estimada em mais de 20% deverá empurrar o nível de preços para um patamar ainda mais elevado, fazendo com que a inflação acumulada em 12 meses ultrapasse 8%. Ainda assim, o ajuste fiscal está longe de se consolidar. O impasse entre o Congresso Nacional e a presidência protelou a vigência de algumas medidas, programadas até então para ocorrerem já no primeiro semestre, fato que não deverá se concretizar.

Adicionalmente, o efeito pass-through do dólar também deve ser contabilizado. O fenômeno ocorre quando há uma elevação cambial de produtos e insumos importados. Como tais produtos ficam mais caros, seu preço final acaba sendo repassado ao consumidor. Isto é perpetuado até atingir a chamada “taxa de câmbio de equilíbrio”, valor considerado neutro por não favorecer nem prejudicar os importadores/exportadores do país.

Como o real andou muito tempo sobrevalorizado, os importadores obtiveram benefícios nos últimos 3 anos, enquanto os exportadores contraíram perdas consideráveis. A recente elevação da cotação do dólar está convergindo para a taxa de equilíbrio, atualmente estimada por algumas corretoras estrangeiras entre R$ 3,00 e R$ 3,20. Enquanto esta convergência não se completa e barreiras no Congresso são erguidas, um fato já é concreto: pressões inflacionárias estão por vir.

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