A megacompra de títulos pelo FED americano arrisca ter efeito muito reduzido

Por Paulo Rabello de Castro, da RC Consultores

O Comitê de Política Monetária do Federal Reserve determinou a compra de pelo menos US$40 bilhões por mês em títulos hipotecários, beneficiando os bancos que têm esses papéis entupidos em suas carteiras. Na sequência do esperado anúncio, que é batizado no jargão do mercado como QE3, Quantitative Easing number 3, as bolsas subiram e, principalmente, as ações de bancos americanos, que devem ser os principais beneficiários diretos da medida. Economistas em sua maioria, no entanto, projetam como apenas moderados os efeitos mais importantes do QE3, ou seja, dar munição para o mercado de construção reagir e os bens de consumo durável serem mais consumidos.

Nada menos que 30% dos americanos que pagam hipotecas estão com seus patrimônios “invertidos”, quer dizer, o que devem aos bancos pela casa é maior do que o valor de mercado do seu imóvel. É tudo que um poupador mais odeia, ficar desequilibrado entre o que deve e o que tem. Portanto, o efeito da política do FED de impelir esse cidadão para mais consumo deve ter pouco ou nenhum efeito, especialmente se não mudarem para melhor as expectativas quanto ao seu emprego e renda. A renda média disponível americana caiu ao nível de 1995 este ano. Por isso, o QE3 deve ter vida curta. Seu efeito maior é o do próprio anúncio, pois com isso Bernanke tenta influenciar direto na reeleição de Obama, e este, quem sabe, na recondução de Bernanke a um segundo mandato no FED em 2013.

Ed.30

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