Novos tempos para o comércio


Flávio Calife/Izabel Faez

O ano de 2015 apresentou um resultado ruim para o comércio, o pior desde o início da série histórica em 2010, com queda de 3,1%. O movimento do setor, segundo o indicador da Boa Vista SCPC, já se encontra em território negativo desde julho de 2015, e as perspectivas para 2016 não são das melhores. Cenário desafiador para um setor acostumado com grandes ganhos.

O resultado dos primeiros meses de 2016 não nega o esperado. O movimento do comércio subiu 0,3% em fevereiro de 2016, mas na variação acumulada em 12 meses a queda foi de 4%, novo recorde negativo da série.

É evidente que o cenário continua preocupante para o varejo. Comparando fevereiro de 2016 com o mesmo mês do ano anterior, o recuo das vendas foi de 6,7%. E no primeiro bimestre do ano o setor já acumula queda de 7,6%. Sem perspectiva de melhora no curto prazo, a tendência se mantém. 2016 dificilmente não será um ano de perdas.

Alta nos preços, elevadas taxas de juros e aumento do desemprego fazem com que o consumidor reduza os gastos. A confiança diminui e se reflete na baixa demanda por crédito. As quedas mais acentuadas aconteceram no setor de bens duráveis, o mais dependente do crédito: móveis e eletrodomésticos caíram 15,7% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, 14,1% no bimestre e acumulam perda de 6,7% em 12 meses. O setor de vestuário também apresentou uma queda mais elevada quando comparado aos outros.

Os setores do varejo mais dependentes da renda e menos do crédito registraram quedas mais leves. Supermercados caíram 5,1% no bimestre contra o mesmo período do ano anterior, enquanto combustíveis e lubrificantes perderam 3,4%. É importante notar que todos os setores do varejo apresentaram queda. O varejo se prepara para a nova realidade e espera por dias melhores.

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