O ano do desemprego

Por Bruna Martins/Flávio Calife

O desemprego atingiu novo recorde da série histórica e, ao lado da inflação, transformou-se em variável extremamente preocupante para as famílias ao longo de 2015. Segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego encerrada em outubro (trimestre móvel que compreende agosto, setembro e outubro) atingiu 9,0%, a maior taxa desde o começo da série iniciada em 2012. Na comparação contra o período encerrado em 2014, a taxa de desocupação aumentou 2,4 p.p. O ano de 2015 marca também a inflexão na tendência do indicador, que vinha em queda e passou a crescer ininterruptamente a partir de janeiro do ano passado.

O ambiente econômico não deve ajudar. Com a persistente retração da atividade econômica, o desemprego tende a seguir em alta, reduzindo o poder de barganha dos trabalhadores em relação aos salários. O rendimento habitual real referente ao trimestre encerrado em outubro recuou para R$1.895, apresentando uma contração de 1% na comparação interanual.

Desemprego e inflação em alta somados a uma redução da renda corroeram o poder de compra das famílias ao longo do ano, que tiveram que readequar o padrão de consumo para um nível condizente com esse cenário. Com o consumo em desaceleração e a indústria descendo a ladeira, a atividade econômica não apresenta sinal de melhora no curto prazo. O indicador do Banco Central que antecede o PIB (IBC-Br), também divulgado hoje, já atingiu queda de 3,85% no acumulado de janeiro a novembro e a expectativa do mercado para o próximo ano já se encontra em -3%.

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