O novo consumidor e o novo ano

Por Yan Cattani

O comportamento do consumidor em 2015 foi bastante atípico quando comparado com outras épocas. No período que abrange 2002 até 2012, a forte ênfase no consumo e o grande boom das vendas varejistas foram alavancadas preponderantemente pela chamada “nova classe média” com forte acesso ao crédito. Foi um período fértil, não só para o setor, mas para toda economia. Hoje não passa apenas de uma remota lembrança.

A crise econômica somada à turbulência política manteve os consumidores apreensivos e cautelosos ao longo do ano passado. Práticas como corte de gastos, novos empréstimos, foco no consumo de bens de primeira necessidade, entre outras ações passaram a conduzir as atitudes desse novo consumidor. Ainda assim, alimentos, artigos farmacêuticos e de perfumaria apresentaram queda das vendas, evidenciando a dificuldade das famílias até de manter o consumo de bens básicos.

De acordo com os dados do varejo divulgados hoje pela Boa Vista SCPC, o indicador de Movimento do Comércio caiu 3,1% em 2015. O resultado foi o pior já registrado na série histórica do indicador, iniciada em 2010. Na avaliação de dezembro contra o mesmo mês do ano anterior, a queda observada foi de 7,0%. Um resultado bastante negativo para o setor e que consolidou a tendência de queda mostrada pelo comércio, que desde julho já estava em território negativo de acordo com os valores acumulados em 12 meses.

Fatores como elevação de juros, piora do mercado de trabalho e inflação em patamar elevado podem ser considerados como os principais condicionantes desse cenário. Para este ano, teremos as mesmas adversidades vivenciadas no ano passado, fator que deverá influenciar negativamente a confiança do consumidor e consequentemente as vendas do varejo. Dificilmente 2016 não será um novo ano de perdas.

Comentários

comentários

Posts relacionados

CAGED: Setembro registra sexto saldo positivo consecutivo

Segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho, em setembro o saldo de vagas no mercado de trabalho (diferença entre novas contratações e demissões) foi positivo em 34,4 mil postos. Deste modo, a leitura atual contrasta quando comparado ao mesmo período do ano anterior, quando foram encerradas 39,3…

Movimento do Comércio sobe 1,5% em setembro

O Indicador Movimento do Comércio, que acompanha o desempenho das vendas no varejo em todo o Brasil, subiu 1,5% em setembro quando comparado a agosto na análise com ajuste sazonal, de acordo com os dados apurados pela Boa Vista SCPC. Na avaliação acumulada em 12 meses (outubro de 2016 até setembro de 2017 frente ao…

IBC-BR recua 0,38% em agosto e 1,0% no acumulado 12 meses

18 de outubro 2017 – Segundo o Banco Central, o indicador antecedente da atividade econômica (IBC-BR[1]) recuou 0,38% na comparação mensal contra o mês de julho (dados dessazonalizados). Considerando a variação acumulada em 12 meses, o ritmo de queda segue diminuindo: a leitura de agosto apresentou um recuo de 1,0% (após registrar queda de 1,4%…