O preço do ajuste

É verdade que há tempos a atividade econômica vem desacelerando, mas até o início do ano parecia ser um problema distante da vida dos consumidores. Mesmo com a desaceleração cada vez mais acentuada do consumo e a produção industrial na ladeira, a preocupação não era preponderante para os brasileiros, pois o mercado de trabalho mantinha-se aquecido.

A novidade é que o drama foi agravado exponencialmente na virada do ano. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados hoje pelo IBGE, a taxa de desemprego no trimestre móvel encerrado em abril subiu para 8,0%, registrando um aumento de 1,2 p.p. em relação ao trimestre imediatamente anterior. O aumento de pessoas que entraram no mercado de trabalho (e não encontraram emprego) explica em parte o crescimento da população desempregada (acréscimo de 18,7% no trimestre contra o trimestre anterior). Além disso, a fraca atividade econômica também reflete na elevação da taxa de desemprego devido à redução da população ocupada (queda de 0,6% na mesma base de comparação).

Diante de uma elevação crescente dos preços, que reduz o rendimento real do trabalhador, as famílias tentaram voltar ao mercado de trabalho. Sem sucesso, a solução encontrada para incrementar a renda foi o trabalho por conta própria, mais um indicador da deterioração deste mercado.

O cenário não é positivo. Com a possível continuação do ajuste fiscal no próximo ano e o ciclo de aperto monetário ainda incompleto, a elevação do desemprego torna-se mais preocupante. Políticas fiscal e monetária restritivas são necessárias neste momento para a estabilidade monetária e controle do orçamento público, mesmo que tendam a reduzir a atividade no curto prazo, pois são pilares do crescimento econômico. Mas há um preço, que neste caso parece ser o desemprego.

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