Por Marcel Caparoz, da RC Consultores

O impasse para elevação do teto da dívida americana teve hoje mais um capítulo, o chamado “Shutdown”, com a determinação da paralisação parcial de diversas repartições públicas, após o Congresso fracassar na aprovação do novo orçamento federal. A Câmara dos Deputados é controlada pelos republicanos, enquanto os democratas têm maioria no Senado. A oposição insiste no adiamento em um ano da reforma do sistema de saúde proposta por Obama, condição completamente descartada pelo governo. A paralisação deixa mais de 800 mil funcionários sem salário, além de poder gerar um prejuízo da ordem de US$ 1 bilhão. Atualmente o limite legal do endividamento americano é de US$ 16,7 trilhões, o que garante liquidez ao governo somente até o dia 17 de outubro.

Esta não é a primeira vez que tal medida é tomada. Desde 1976 já ocorreram 17 interrupções das atividades públicas, sendo a última ocorrida no governo do democrata Bill Clinton entre o final de 1995 e início de 1996, ano de eleições presidenciais. Naquela época, também foram os republicanos que travaram as votações e encabeçaram o impasse. No entanto, tal estratégia política fracassou, uma vez que a população considerou os republicanos os responsáveis pela paralisação, permitindo assim a reeleição de Bill Clinton. Hoje, segundo pesquisa da CNN/ORC international, 46% dos americanos consideram os republicanos responsáveis por mais essa paralisação. É importante ressaltar que em 2014 teremos eleições para o Congresso dos EUA. Resta saber o quão propenso ao risco estão os republicanos neste momento.

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