Do penhasco americano ao plano inclinado brasileiro

Por José Valter Martins de Almeida e Paulo Rabello de Castro, da RC Consultores

Desde agosto, registramos aqui as dificuldades do Tesouro Nacional para fechar sua meta de superávit primário em 2012 (mesmo usando dividendos das estatais), com investimentos, públicos e privados, não acontecendo em um ritmo desejado e ainda com a indústria nacional marcando passo, por conta das fracas exportações. Hoje, com os dados de final de exercício, observamos que nossas preocupações eram válidas.

O saldo da balança comercial é o pior em dez anos, um superávit de US$ 19,4 bilhões, 34,8% inferior ao de 2011. O resultado seria pior se a Petrobras houvesse registrado suas importações de final de ano na conta de 2012. Com relação ao crescimento da economia, projeções da Folha de São Paulo, com base na EIU da revista The Economist, indicam que o PIB Brasil de 2011 a 2013 (estimando 3,5% para este ano), será o menor da América do Sul, e vice-lanterna entre os emergentes. O crescimento médio do PIB do Brasil no período será de 2,4% contra 8,5% da China, 6,4% da Índia, 5,2% da Turquia e 3,1% da África do Sul. A taxa de investimento do Brasil em 2012 também não é animadora: 18,2%. Índia 29,2%, Colômbia 24,1% e México 21,5%.  Aliás, o México passou a ser o “queridinho” dos investidores na região.

Embora sem a gravidade do “abismo fiscal” americano, o desempenho produtivo brasileiro vive um momento de “plano inclinado”, em que o impulso do seu modelo de alto consumo e crescente comprometimento de rendas não é acompanhado por investimentos e produção. Essa duplicidade de comportamento gera uma incerteza crônica e afastará investidores se não for atacada de frente, tanto aqui, quanto nos EUA.

Ed.97

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