Perda do dinamismo econômico se reflete em maior risco

Por Marcel Caparoz, da RC Consultores

Dados divulgados ontem pelo IBGE apontaram que a produção industrial brasileira se manteve estável em agosto quando comparada ao mês anterior. Na comparação com Agosto de 2012 apresentou queda de 1,2%, acumulando no período de 12 meses alta de apenas 0,65%. A produção de Bens de Capital foi o grande destaque positivo, com crescimento de 2,6% contra o mês anterior e 11,8% quando comparada a Agosto de 2012. Por outro lado, a produção de Bens de Consumo caiu 0,6% frente ao mês anterior e 2,8% contra Agosto de 2012. Na divisão por setores, dentre os 28 pesquisados, apenas 9 cresceram em relação ao ano passado.

Esta perda de dinamismo da indústria no período pós-crise tem impactado diretamente no potencial de crescimento da economia brasileira. Assim como na indústria, as vendas no varejo e a geração de emprego formal também não registram o excelente crescimento dos últimos anos. Esta nova realidade da economia, em conjunto com os atuais desequilíbrios fiscais gerados pelo governo, tem se refletido num aumento da percepção de risco por parte dos investidores nacionais e internacionais. A Moody’s rebaixou hoje a perspectiva da dívida do Brasil de positiva para estável (Baa2), sob a justificativa novamente de baixo potencial de crescimento econômico para os próximos anos e de deterioração do nível de endividamento e das contas públicas. Este processo de elevação do risco Brasil influenciará diretamente no sucesso dos futuros leilões de infraestrutura, fundamentais para elevar o nível de investimento da economia, uma vez que serão exigidos retornos cada vez maiores pelos projetos, condição que o governo demonstra não estar disposto a aceitar.

Ed.284

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