Problemas domésticos afetam o câmbio

A disparada do dólar ante o real nesta manhã voltou a chamar atenção do mercado financeiro. Refletindo a deterioração da economia e a crise política, o dólar comercial alcançou o valor de R$ 3,2694 após subir 0,77% no dia, uma nova máxima na cotação em quase 12 anos.

Essa elevação inesperada deve-se ao grande refluxo de recursos observado hoje, tanto pela desconfiança em relação à articulação política no governo como pelas incertezas da implementação dos ajustes econômicos necessários neste momento. A ausência de sinais claros sobre a resolução dos impasses entre Executivo e Legislativo ainda parece exercer forte pressão sobre a moeda. A falta de um acordo pode dificultar as medidas de ajuste fiscal, fator primordial para avaliação de risco do crédito soberano.

A trajetória da moeda brasileira descolou da de outras moedas, evidenciando que as questões domésticas têm sido determinantes para definir o valor da moeda estrangeira. Hoje a maioria das moedas está se valorizando perante o dólar, na expectativa de que o banco central americano confirme amanhã uma posição mais ‘dovish’, ou seja, que não deve iniciar um ciclo de aumento dos juros tão cedo. A decisão do Banco Central em não operar novos swaps cambiais é um sinal de que a autoridade monetária trabalha em um ambiente com o câmbio mais flutuante do que em períodos anteriores.

Os efeitos do aumento da moeda americana devem pressionar ainda mais os preços internos, preocupação extra dos formuladores de política monetária, que terão mais uma razão para decidir sobre futuros aumentos das taxas de juros

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