Procrastinação à grega

Por Bruna Martins e Flávio Calife, da área de Indicadores e Estudos Econômicos da Boa Vista SCPC

Ontem, em meio às negociações de um novo acordo de financiamento entre a Grécia e os demais países da Zona do Euro, o governo grego solicitou um pedido de prorrogação de seis meses do acordo de financiamento de € 172 bilhões, que venceria no fim deste mês. Segundo a carta enviada pelos gregos, os empréstimos ajudariam a “estabilizar a posição fiscal da Grécia, atingir superávits primários apropriados, garantir a estabilidade da dívida e ajudar no cumprimento das metas fiscais de 2015 que levam em consideração a atual situação econômica”. De imediato, a Alemanha rejeitou o pedido de extensão da dívida com o argumento de que o país não especificou como manteria o equilíbrio fiscal e promoveria o combate à evasão fiscal, chegando a afirmar que o pedido da Grécia é um “cavalo de Troia”.

Desde a ascensão do partido de esquerda grego ao poder, o Syriza defendeu a ideologia antiausteridade como solução para a recessão econômica em que o país vive desde a crise de 2009. Os gastos públicos dariam fôlego para a economia começar a superar o péssimo desempenho que apresenta, como os indicadores sociais, de desemprego e de renda. Essas premissas defendidas pelo partido seriam incompatíveis com o equilíbrio fiscal prometido em troca de prorrogação da dívida.

Para alguns líderes europeus, a Grécia deveria se espelhar nos exemplos de Portugal, Espanha e Irlanda, que superaram graves crises de endividamento implementando reformas estruturais de grande alcance ao mesmo tempo em que cortaram déficits orçamentários de forma sustentável. O primeiro ministro de Portugal declarou hoje que é “inaceitável” aceitar mais ajuda à Grécia sem garantias de ressarcimento. O pedido de prorrogação foi interpretado mais como uma tentativa de procrastinar o empréstimo do que uma proposta de reequilíbrio fiscal, o que poderia contaminar as políticas de outros países. Além da tentativa de resgatar a Grécia, a preocupação maior é o de evitar fortalecimento de posições antiausteridade na Europa.

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