Produtividade estagnada no Brasil

Por José Valter Martins de Almeida, da RC Consultores

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE – divulgou um estudo sobre a Perspectiva para o Desenvolvimento Global em que dedica um capítulo aos países do BRIICS (Brasil, Rússia, Índia, Indonésia, China e África do Sul). O estudo avalia que nesses seis países a produtividade ainda está abaixo dos países desenvolvidos. Todos os países do BRIICS têm níveis de produtividade de cerca de 10% menor que nos EUA. O Brasil tem 11,1% menos produtividade que nos EUA. O estudo aponta que aumentou a fatia das importações de bens de consumo, o que ilustra que o crescimento na última década tem sido basicamente motivado pelo consumo e, apesar do aumento das importações de bens de capital, isso não se traduziu em exportações mais forte de produtos com maior valor agregado.

O estudo alerta que a competitividade no Brasil pode estar sendo restringida por gargalos na infraestrutura, em recursos humanos qualificados e nos altos custos administrativos. Esse estudo corrobora o que outros estudos elaborados pela Fiesp, CNI e outros institutos já alertam há algum tempo. Não por acaso o Brasil aparece em 37º em um ranking de produtividade da revista “The Economist” comparando 82 países, sendo que em itens como infraestrutura e carga tributária o país aparece em 52º e 76º, respectivamente. Sem uma política consistente de aumento de investimentos em infraestrutura e sem uma simplificação e redução da complexa carga tributária será impossível o Brasil aumentar sua produtividade e se impor como um player importante na economia global.

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