Protesto jovem obriga releitura do Governo e do País

Por Paulo Rabello de Castro, da RC Consultores

Ao menos 230 mil pessoas, em grandíssima maioria, jovens de classe média, saíram às ruas ontem em 12 estados brasileiros. A estimativa do número de participantes é do jornal O Estado de São Paulo. Ao colocar “ao menos” na estimativa, o Estadão acerta. Testemunhamos da janela alta do nosso prédio, na Av. Berrini, e em seguida acompanhamos na rua a marcha pacífica, e até bem humorada, de uma enorme massa humana. O mar de gente ultrapassou 150 mil apenas no segmento que desfilou pela Marginal, Berrini e pontes Estaiada e do Morumbi. Somados aos manifestantes na Av. Paulista e em outros pontos de São Paulo, além dos estimados 100 mil no Rio de Janeiro, os manifestantes de ontem, no Brasil inteiro, seguramente ultrapassaram a marca de 300 mil.

A geração “me-me” mostrou sua cara. É fortemente apartidária, é focada em demandas bem específicas, é enquadrável em regras, mas não tolera ser sufocada. E perdeu a paciência com os excessos midiáticos de um País que não consegue falar de si mesmo com um mínimo de sinceridade e objetividade. Observei, em especial, dois aspectos na marcha: o grito contra os enormes gastos esportivos, apesar do apelo maciço da mídia ao patriotismo futebolístico, e a indiferença total dessa geração a palavras de ordem ideológicas. Carregavam-se cartazes de tudo, inclusive pela redução dos impostos. Impressionante ver a massa de jovens respeitando vidraças indefesas de bancos, painéis de grandes corporações, multinacionais, sem um arranhão ou grito de protesto. Em uma rápida releitura do País, diria que o povo amadureceu e exige menos mídia e mais clareza dos governantes. E que a porta para novas e boas propostas esteja escancarada para 2014. Isso não é nada negativo. O “rating” político-social do País subiu.

Ed.208

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