Queda de braço

Apesar do cenário macroeconômico adverso, 2014 foi um bom ano para a taxa de inadimplência dos consumidores calculada pelo Banco Central. Enquanto a deterioração da maioria dos indicadores macroeconômicos tendia a puxar a inadimplência para cima, a influência da seletividade dos concedentes de crédito, da maior cautela dos consumidores e da queda ininterrupta da taxa de desemprego foi mais forte, reduzindo o indicador de 5,72% em 2013 para 5,31% em 2014.

Hoje o cenário não parece tão favorável. A atividade econômica está mais fraca, o consumo menor, os juros mais altos e a inflação ainda mais elevada. Mas a novidade no ambiente macroeconômico deste ano é que o desemprego começou a aumentar rapidamente e os rendimentos reais estão encolhendo. E como se não bastasse o indicador de Registro de Inadimplentes da Boa Vista SCPC continua crescendo, 1,1% no acumulado em 12 meses, enquanto o indicador de Recuperação de Crédito da Boa Vista SCPC intensifica sua queda a cada mês, recuando 3,8% na mesma base de comparação.

Com isso, a seletividade da oferta e a cautela da demanda devem perder a queda de braço para as outras variáveis, e a inadimplência ganha força. Como o próprio indicador de Risco de Crédito da Boa Vista SCPC já aponta, podemos esperar sim uma elevação da taxa de inadimplência dos consumidores ainda este ano. Esperamos algo próximo de 5,8% no final de 2015.

A boa notícia é que 2016 deve ser um pouco melhor, pelo menos é o que indica grande parte das expectativas de mercado. Com uma melhoria marginal da economia, a inadimplência pode aumentar, mas em menor intensidade no próximo ano. Caso a lição de casa dos ajustes seja feita, o pior não está por vir.

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