Ruim para a China, pior para nós

Após passar três décadas com crescimento econômico médio anual de 10%, em meados do ano passado, a China formalizou sua intenção em desacelerar sua atividade econômica, de modo a atingir crescimento de 7% neste ano. Ainda longe de apresentar um crescimento à brasileira, o fato relevante para a economia internacional é que sua menor atividade compromete diretamente os países exportadores de commodities, entre eles o Brasil, uma vez que a China atualmente é um dos principais importadores de matéria-prima brasileira.

Os dados divulgados ontem mostraram o pior resultado em seis anos, com crescimento do primeiro trimestre de 7% frente ao mesmo período do ano anterior – à época, em plena crise mundial, o crescimento foi de 6,6%, mantida base de comparação. A elevação na margem, isto é, o crescimento do primeiro trimestre do ano frente ao último trimestre de 2014, foi de apenas 1,3%. Isto significa que em termos anualizados, o PIB expandiu somente 5,3%.

As autoridades chinesas têm se mostrado preocupadas com a situação, uma vez que a desaceleração em alguns setores ocorre de forma mais brusca que o desejado. Em março, a produção industrial avançou 5,6% frente ao mesmo mês do ano passado, bastante abaixo das projeções de mercado (7,0%). Mantida a base de comparação, no comércio as vendas também apresentaram resultado mais ameno que o consenso, +10,2%, ou seja, 0,7 p.p. abaixo do consenso de mercado. Além disso, as exportações – consideradas por muitos especialistas um dos principais indicadores antecedentes da economia chinesa – também apresentaram fortes contradições com as projeções, caindo 15% no mês frente ao mesmo período de 2014, ante a expectativa do mercado de elevação de 10% no período.

A China passa por uma série de ajustes institucionais que podem frustrar a meta econômica desejada deste ano. Dentre eles, destacam-se as medidas de combate a corrupção, reestruturação das indústrias de construção civil, controle da inflação, ajustes salariais, valorização cambial do Renminbi e talvez o mais importante, controle das finanças dos governos subnacionais. Enquanto estes impasses ainda estão longe de serem resolvidos, o governo já anuncia um plano de criação de 10 milhões de novos postos de trabalho este ano. Ruim para a China, pior para nós.

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