Sebastianismo cambial

Yan Cattani

A indústria brasileira tem apresentando um resultado dinâmico em seus últimos 6 anos. Dinâmico não no sentido de evolução, mas sim no de alternar seus resultados, que se apresentam ora como pífios, ora negativos.

Hoje não foi diferente: dados do IBGE mostraram que a Produção Industrial Mensal (PIM) de fevereiro caiu 2,5% frente a janeiro, descontados os efeitos sazonais. Se avaliado no resultado acumulado em 12 meses, a queda já atinge 9%, resultado próximo ao enfrentado na crise de 2009.

Apesar da má notícia, ao avaliar as chamadas “Categorias de Uso”, alguns sinais interessantes apontam para uma possível retomada próxima da produção industrial, decorrente não de uma melhora da atividade econômica em si, mas sim pelo efeito dos preços de produtos industriais internacionais.

Traduzindo para o bom português, o processo de desvalorização cambial iniciado em 2015 começa a desencadear na indústria seus primeiros efeitos. O encarecimento do dólar tem colaborado para proteger a indústria de Bens de Consumo nacional, assim como “estancar” o sangue derramado no setor de Bens de Capital. Respectivamente, importa-se menos produtos industrializados e incentiva-se a produção local de itens com alto valor agregado. Além disso, estimula-se também a exportação desses produtos locais.

Em nossa atual conjuntura, trata-se de uma situação onde quase todos ganham (só perdem os importadores), pois a indústria é o setor de atividade que mais contribui para geração de renda na economia, alavancando todos os demais setores, como serviços, comércio, construção civil, entre outros. Ainda assim, o caminho a percorrer para uma efetiva retomada de crescimento econômico é longo: os setores de Bens de Capital, Bens Intermediários e Bens de Consumo estão ainda longe de saírem do território negativo, com quedas de 27,1%, 6,3% e 9,4%, respectivamente. O câmbio ajuda, mas não faz milagre.

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