Sem desalento e mais confiante

Por Yan Cattani

O desalento é uma situação do mercado de trabalho, em que após uma série de tentativas frustradas na busca por emprego, as pessoas acabam desistindo da procura e saem da força de trabalho, ou mais especificamente, da população economicamente ativa (PEA). A predominância do desalento é típica de países rotineiramente imersos em crise – como foi o Brasil da década de 80 e 90 – mas ainda não é uma situação condizente com o mercado de trabalho atual de nosso país.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), a taxa de ocupação no Brasil (TO) – que mede a porcentagem da população com idade de trabalhar que está efetivamente ocupada – manteve-se praticamente estável no resultado de abril, com queda de 0,1 p.p., alcançando o nível de 54,6%. Já a população economicamente ativa (PEA) manteve o ritmo de crescimento registrado ao longo dos três primeiros meses do ano, de 1,8% na comparação interanual. Com estes movimentos, o desemprego atingiu 11,2%, pois elevou-se tanto o número de desempregados como a demanda por postos de trabalho.

Mas é possível observar uma desaceleração do crescimento da PEA e estagnação da TO, movimentos que contribuem para o arrefecimento do atual movimento de alta da taxa de desemprego. Ainda longe do ideal, a análise já sinaliza uma pequena melhoria das condições do mercado de trabalho.

Este movimento de melhora não é descabido: indicadores recentes de confiança sinalizam de forma majoritária uma melhoria da percepção sobre a economia. Indicadores de Confiança dos setores de Serviços e da Indústria da Fundação Getúlio Vargas, divulgados hoje, apontaram a terceira elevação mensal consecutiva de ambos os índices, que até então encontravam-se no menor nível histórico de suas séries.

Ancorados nas expectativas de curto prazo, enquanto as medidas econômicas anunciadas pelo novo governo não passarem de sinalizações, dificilmente o nível de confiança será mantido. Mas, por ora, os resultados dessa nova conjuntura têm sido suficientes para desacelerar, ainda que timidamente, o ritmo de demissões e impedir o mercado de trabalho de entrar em uma “zona” do desalento.

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