Serviços perdem fôlego

Por Everton Carneiro e Thiago Custódio Biscuola, da RC Consultores

Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada hoje pelo IBGE mostrou que a receita nominal do setor de serviços cresceu 6,4% em setembro em comparação com o mesmo mês do ano passado. Com este resultado, o acumulado em 12 meses desacelerou novamente, para crescimento de 7,1%. Quando se extrai deste aumento nominal a inflação geral de preços (deflacionando pelo IPCA do mesmo mês) nota-se que houve retração da receita real em setembro (-0,4%), a quarta consecutiva. O acumulado em 12 meses da receita real atingiu 0,9% em setembro, a menor expansão da recente pesquisa iniciada em 2012. Em setembro do ano passado, o crescimento da receita real era de 2,5% em 12 meses.

Esta desaceleração da receita dos serviços verificada pela PMS já reflete na criação de empregos no setor, o grande motor do mercado de trabalho na última década. Dados do Caged, referentes ao emprego formal, mostram que o setor criou apenas 2,5 mil vagas em outubro deste ano, contra cerca de 30 mil no mesmo mês nos dois anos anteriores. O desempenho abaixo da média dos serviços foi o grande responsável pelo fechamento de 30 mil postos de trabalho em outubro deste ano, a primeira vez que se verificou um saldo negativo em outubro, tradicionalmente um mês de contratações. Apesar dos percalços, diferentemente dos demais segmentos, os prestadores de serviços ainda conseguem repassar aos consumidores seus custos, recompondo suas margens. A inflação dos serviços ronda acima dos 8% desde dezembro de 2010, uma persistência que não se verifica em nenhum outro setor.

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