Suprema Corte americana agrava a já debilitada economia argentina

Por José Valter Martins de Almeida, da RC Consultores

A Suprema Corte dos EUA recusou o recurso da Argentina para tentar evitar o pagamento de US$ 1,33 bilhão a um grupo de credores de fundos hedge, mantendo decisões de instância inferior, da Justiça de Nova York, ordenando a Argentina a pagar. Num pronunciamento à nação na noite de ontem, a presidente Cristina Kirchner disse que o governo vai honrar o compromisso, mas considerou o pagamento uma extorsão. A decisão da Justiça americana pode abrir precedente para que outros credores que não aceitaram renegociar a dívida também exijam o mesmo tratamento. Neste caso, o pagamento total pode chegar a US$ 15 bilhões, cerca de metade das reservas internacionais da Argentina

A sentença de ontem poderá ter impacto sobre as emissões de dívidas soberanas. Os países podem decretar moratória em suas dívidas externas e fazer com que as regras de renegociação ocorram de forma próxima à lei local. A decisão da Suprema Corte americana negou à Argentina esse poder. As agências de classificação de risco deverão levar em conta, a partir de agora, esse risco. Para a Argentina, os danos na economia serão inevitáveis. As reservas argentinas giram em torno dos US$ 29 bilhões e a escassez de dólares deve exigir do governo medidas de mais restrições na importação. O Brasil deve sofrer consequências com essas restrições. Embora o recente acordo automotivo tenha trazido algum alívio nas relações entre os dois países, tudo indica que cada vez mais o Brasil vai ter dificuldade de exportar para o hoje importante mercado portenho.

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