Varejo: 2014 foi ruim. 2015 será pior?

Por Bruna Martins e Yan Cattani, da área de Indicadores e Estudos Econômicos da Boa Vista SCPC

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou crescimento de 0,9% em novembro, na comparação mensal com dados dessazonalizados, ficando também acima do esperado pelo mercado (0,3%), de acordo com a mediana calculada pelo jornal Valor Econômico.

O resultado não é passível de comemoração. Apesar da quarta alta consecutiva, as vendas do varejo restrito continuaram a desacelerar, caindo de 3,1% no valor acumulado em 12 meses (frente aos 12 meses anteriores) para 2,6% em novembro. No acumulado de janeiro a novembro de 2014, na comparação com o mesmo período do ano anterior, as vendas aumentaram 2,4%, pior resultado desde 2003. Este mau desempenho deve-se as retrações dos comércios de Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (-7,5%), Equipamentos e Materiais para escritório, Informática e Comunicação (-2,9%) e Tecidos, Vestuário e Calçados (-0,7%). Em contrapartida, Artigos Farmacêuticos, Médicos, Ortopédicos e de Perfumaria vêm se destacando com forte alta de 9,1%. O aumento do rendimento e a baixa taxa de desemprego não foram suficientes para alavancar as vendas do varejo em 2014, dada tamanha incerteza no cenário econômico. A fraca atividade econômica apresentada ao longo do ano somada a deterioração das contas públicas, alta inflação e aumento dos juros fizeram com que tanto a confiança do consumidor como do empresário chegassem aos menores patamares da série histórica.

Para 2015, podemos esperar leve melhora no desempenho da economia, mas o caminho deverá ser sinuoso, uma vez que contemplaremos considerável contração fiscal, além de uma elevação da Selic para conter a inflação (que deve se manter ainda em patamar elevado). Ademais, uma piora no mercado de trabalho é iminente, complicando ainda mais o cenário para o varejo. Deveremos esperar para 2015 um resultado tão ruim quanto o de 2014 para o comércio, que mesmo sem os dados de dezembro, já é considerado o pior dos últimos 11 anos.

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