Varejo: 2016 em xeque

O fraco consumo no varejo é reflexo em grande parte dos efeitos derivados da baixa confiança do consumidor sendo, portanto, certeira a tendência negativa para o comércio neste ano. Contudo, a deterioração das vendas varejistas ocorre em ritmo superior ao esperado, em consonância com a crescente degradação do cenário macroeconômico.

De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada hoje pelo IBGE, o volume de vendas no varejo restrito caiu 0,9% em agosto na análise mensal dos dados dessazonalizados – tendência antecipada pelo Indicador de Movimento do Comércio da Boa Vista SCPC. Este é o pior resultado para o mês desde agosto do ano 2000. Para o acumulado de 2015 a retração é de 3,0%, enquanto na análise do acumulado em 12 meses o varejo restrito intensificou consideravelmente sua queda e aumentou 0,5 p.p. frente a julho, atingindo redução de 1,5%.

Sem grandes perspectivas de melhora, a atividade varejista certamente galgará ainda mais espaço no território negativo: os itens com demanda inelástica (que varia pouco mesmo com aumento de preços), tais como supermercados, vestuário e combustíveis, já apresentam quedas expressivas nos valores acumulados em 12 meses. Ou seja, dos itens essenciais, apenas os artigos farmacêuticos seguem em patamar positivo, mas ainda assim, em franca desaceleração.

Com este cenário, por ora espera-se queda de 3% para o comércio em 2015. E quanto maior a queda neste ano, maior deverá ser o esforço para recuperação em 2016, cujo desempenho já começará em xeque.

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