Varejo à deriva

Por Yan Cattani

Após apresentar três quedas consecutivas, o varejo voltou a mostrar variação positiva na margem em fevereiro. Ainda assim, os resultados estão longe de serem animadores. De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio divulgada pelo IBGE, o volume de vendas no Varejo Restrito (desconsidera os setores de construção civil e venda de veículos) subiu 1,2% no mês, na análise mensal dos dados dessazonalizados, sendo a maior alta desde julho de 2013.

A elevação foi puxada por metade dos setores: Artigos farmacêuticos (0,3%), Móveis e Eletrodomésticos (5,0%), Combustíveis e lubrificantes (0,6%), Hipermercados e supermercados (0,8%). Para os outros setores, a configuração foi a seguinte: Tecidos, vestuário e calçados apresentou -2,8%, Materiais para escritório, informática e comunicação, -1,3%, Livros, jornais revistas e papelaria, -2,4% e Outros artigos de uso pessoal e doméstico, -0,1%.

No entanto, nos dados sem ajuste por sazonalidade, em termos interanuais (comparação de fevereiro de 2016 contra o mesmo mês do ano anterior) a queda foi generalizada. Ainda assim, ressalta-se que no ano passado as variações ocorreram de forma mais amena do que a observada nos últimos meses: todos os setores tiveram desaceleração dos resultados negativos – e os produtos farmacêuticos tiveram oscilação positiva, inclusive.

Ainda é cedo para afirmar que o varejo está invertendo sua tendência de queda, mas este é um indício de que uma piora dos resultados também é pouco provável. A estagnação da queda dos indicadores de confiança na economia é fato observável há pelo menos 2 meses. Mas o fundamento principal permanece o mesmo: enquanto não houver melhoria nítida nos determinantes do consumo das famílias, os resultados varejistas seguirão em campo negativo. Paramos de remar no sentido contrário, mas ainda nos encontramos à deriva.

 

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