Os pedidos de falências registraram queda de 0,9% no acumulado dos primeiros três trimestres de 2014, quando comparados ao mesmo período de 2013, de acordo com dados nacionais da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Na comparação mensal (setembro de 2014), os pedidos aumentaram 17,6% e em relação a setembro de 2013 o aumento foi de 32,6%.

As falências decretadas apresentaram recuo de 0,4% no acumulado do ano, em relação ao mesmo período de 2013. Na comparação interanual (setembro de 2013), houve aumento de 47,3%, enquanto que em relação a setembro último os decretos subiram 123,3%.

No acumulado do ano, contra o mesmo período de 2013, os pedidos de recuperação judicial cresceram 10,6%, apresentando aceleração, e as recuperações judiciais deferidas diminuíram 7,3%.

A tabela 1 resume os dados.

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Os resultados acumulados no ano para os indicadores de solvência das empresas, que vinham registrando quedas acentuadas, tiveram agora suas quedas atenuadas. Exceto os pedidos de recuperação judicial que já vinham aumentando mais do que no ano passado e aceleraram o crescimento. Apesar dos resultados fracos da atividade econômica em 2014, a maioria dos indicadores ainda continua apresentando resultados inferiores ao ano anterior, mas dadas as incertezas do cenário, a expectativa é de reversão desses indicadores até o fim deste ano.

Distribuição das falências e recuperações judiciais por setor

Avaliando a distribuição por setor da economia no acumulado do ano, o setor de “Serviços” apresentou mais pedidos de falência (40%), seguido do “Industrial” (37%) e do “Comércio” (23%). Já para as falências decretadas, “Serviços” também lideram, com 42% do total intersetorial. Em relação à recuperação judicial, o setor de “Serviços” concentra também a maioria dos pedidos e deferimentos, com 38% e 43%, respectivamente. Para os demais dados, segue o resumo apresentado na tabela 2:

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Distribuição das falências e recuperações judiciais por porte

Na análise agregada por porte[1], os dados se mantiveram concentrados em torno das pequenas empresas, que representam 92% das falências decretadas no primeiro semestre. Em relação aos pedidos de falência, as pequenas empresas representam 83% dos casos, 15% são referentes às médias e somente 2% estão associados às grandes empresas. A tabela abaixo resume os dados analisados:

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Metodologia

O indicador de falências e recuperações judiciais é construído com base na apuração de dados mensais de ocorrências (requerimentos e decretações) registrados na base de dados da Boa Vista SCPC, oriundas dos fóruns, varas de falências e dos Diários Oficiais e de Justiça dos estados.

A série histórica do indicador está disponível em: http://www.boavistaservicos.com.br/economia/falencias-e-recuperacoes-judiciais/



[1] A CIRCULAR Nº 11/2010 do BNDES de 05 de março de 2010 classifica as categorias de porte das empresas de acordo com a receita operacional bruta anualizada. Microempresa – menor ou igual a R$ 2,4 milhões; Pequena empresa – maior que R$ 2,4 milhões e menor ou igual a R$ 16 milhões; Média empresa – maior que R$ 16 milhões e menor ou igual a R$ 90 milhões; Média-grande empresa – maior que R$ 90 milhões e menor ou igual a R$ 300 milhões; Grande empresa – maior que R$ 300 milhões.