Pedidos de falência registram alta de 13,6% no acumulado do ano, diz Boa Vista SCPC

Os pedidos de falência registraram alta de 13,6% no acumulado de 2015 (janeiro/15 a setembro/15) em relação ao mesmo período de 2014, segundo dados da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), com abrangência nacional. Em setembro de 2015, o número de pedidos de falências aumentou 9,0% na comparação com o mês anterior e 9,6% maior em relação a setembro de 2014.

No acumulado dos 3 trimestres do ano, as falências decretadas subiram 22,6% em relação ao período equivalente do ano anterior. Na comparação interanual diminuíram 33,6%, mas aumentaram 15,6% ante o mês anterior.

Os pedidos de recuperação judicial e as recuperações judiciais deferidas, no acumulado do ano, também seguiram tendência de alta, registrando 42,1% e 41,7%, respectivamente.  A tabela 1 resume os dados.

Tabela 1 – Variações nas Falências e Recuperações Judiciais

 

Jan-Set 2015/2014

Set 2015/Set 2014

Set 2015/Ago 2015

Pedidos de Falência

13,6%

9,6%

9,0%

Falências Decretadas

22,6%

-33,6%

15,6%

Pedidos de Recup. Jud.

42,1%

55,2%

-2,0%

Recup. Jud. Deferidas

41,7%

106,6%

6,8%

Fonte: Boa Vista SCPC

A fraca atividade econômica dificulta a geração de caixa das empresas, que convivem com elevados custos. Os empréstimos para o capital de giro estão mais restritos e as taxas de juros maiores, levando à piora os indicadores de solvência. Sem perspectiva de reversão no curto prazo, a Boa Vista SCPC espera que essa tendência dos indicadores de falências se mantenha, e encerre o ano em patamares superiores aos observados em 2014.

Distribuição das falências e recuperações judiciais por porte

A tabela 2 mostra como estão distribuídas as falências e recuperações judiciais por porte de empresa no acumulado dos três trimestres de 2015, a partir dos critérios de porte de empresa adotados pelo BNDES[1].

As pequenas empresas, por exemplo, representam cerca de 85% dos pedidos de falências e 92% das falências decretadas. Tanto nos pedidos de recuperação judicial como nas recuperações judiciais deferidas, as pequenas empresas também correspondem ao maior percentual, 90% e 89%, respectivamente.

Tabela 2 –  Distribuição das falências e recuperações judiciais por porte

 

Pequenas

Médias

Grandes

Pedidos de Falência

85%

12%

3%

Falências Decretadas

92%

7%

1%

Pedidos de Recuperação Judicial

90%

8%

2%

Recuperações Judiciais Deferidas

89%

10%

1%

Fonte: Boa Vista SCPC

Distribuição das falências e recuperações judiciais por setor

Na divisão por setor da economia, o setor de serviços foi o que representou mais casos nos pedidos de falência (41%), seguido do setor industrial (34%) e do comércio (25%). Podemos observar que o setor de serviços ganhou representatividade nos pedidos de falências, uma vez que o comércio passou a concentrar apenas 25% dos casos, frente aos 26% dos pedidos acumulados até no último trimestre. Para os demais dados, segue o resumo apresentado na tabela 3 abaixo:

Tabela 3 – Distribuição das Falências e Recuperações Judiciais por Setor

 

Indústria

Comércio

Serviços

Pedidos de Falência

34%

25%

41%

Falências decretadas

24%

36%

40%

Pedidos de Recup. Jud

27%

31%

42%

Recup Jud decretadas

27%

30%

43%

Fonte: Boa Vista SCPC

Metodologia

O indicador de falências e recuperações judiciais é construído com base na apuração dos dados mensais registradas na base de dados da Boa Vista SCPC, oriundas dos fóruns, varas de falências e dos Diários Oficiais e da Justiça dos estados.

A série histórica deste indicador se inicia em 2006 e está disponível em:

http://www.boavistaservicos.com.br/economia/falencias-e-recuperacoes-judiciais/


[1] A CIRCULAR Nº 11/2010 do BNDES de 05 de março de 2010 classifica as categorias de porte das empresas de acordo com a receita operacional bruta anualizada. Microempresa – menor ou igual a R$ 2,4 milhões; Pequena empresa – maior que R$ 2,4 milhões e menor ou igual a R$ 16 milhões; Média empresa – maior que R$ 16 milhões e menor ou igual a R$ 90 milhões; Média-grande empresa – maior que R$ 90 milhões e menor ou igual a R$ 300 milhões; Grande empresa – maior que R$ 300 milhões.

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