Custos financeiros de ruptura na zona do euro seriam muito elevados

José Valter Martins de Almeida, da RC Consultores

Um dos fundadores do euro, o economista Otmar Issing, afirmou em seu último livro, Como podemos salvar o euro e fortalecer a Europa, lançado nesta semana, que a união política deveria preceder a moeda comum para garantir a sua estabilidade. Ele adverte que a zona do euro pode caminhar para sua fratura. “Tudo se mostra a favor de salvar a zona do euro, mas resta saber quantos países serão capazes de fazer parte dela no longo prazo”.  Afirmou ainda que para a Alemanha seria melhor permanecer como membro, assim “mesmo em sua curta existência, o euro tem sido mais estável do que o marco”. Issing criticou a forma como os políticos estão conduzindo a crise. Para ele “quanto menos os políticos tratarem a raiz dos problemas, mais orientam suas expectativas e exigências para o BCE, que não foi feito para isso. É um banco central e não uma instituição para resgatar governos ameaçados de insolvência. Um banco central age sempre como credor de última instância para o sistema bancário – mas não salva governos”.

Acreditamos que o risco de dissolução da zona do euro seja baixo. Os custos financeiros imediatos e palpáveis de uma eventual ruptura seriam tão elevados, inclusive para os países líderes, como Alemanha e França, que o interesse na permanência no bloco segue sendo a meta de interesse geral. No entanto, a inação das lideranças políticas pode ser o elemento necessário para um cisma de proporções trágicas. A inação se traduziria na dificuldade das lideranças de avançarem na integração fiscal da zona do euro, por meio da introdução de um sobre-imposto confederativo, em adição ao atual IVA, de modo a viabilizar o financiamento da reestruturação das finanças dos países-membros afetados e seus respectivos sistemas bancários.

Ed.05

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