Desemprego e descontrole financeiro são os principais motivos da inadimplência, revela pesquisa da Boa Vista Serviços

Dos consumidores pesquisados 92% esperam ter condições de pagar a dívida

O desemprego continua sendo a maior causa da inadimplência, representando 30% dos casos, entre os consumidores entrevistados pela Boa Vista Serviços, administradora do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), em sua tradicional pesquisa de balcão, que observa, a cada trimestre, o perfil do consumidor inadimplente. A pesquisa foi realizada no segundo trimestre de 2013 e ouviu cerca de 1.100 consumidores na cidade de São Paulo.

O descontrole financeiro como o motivo apontado para o atraso no pagamento das contas subiu e passou de 24%, no primeiro trimestre deste ano, para 28%. Em terceiro lugar aparece o empréstimo do nome a terceiros (10%). O desemprego também é a causa preponderante nas faixas de renda familiar de até 3 salários mínimos (37%).  Para as faixas entre 3 e 10 salários mínimos o motivo passa a ser o descontrole financeiro (32%), assim como também é a causa para as faixas acima de 10 salários mínimos (27%).

Metade dos inadimplentes declaram possuir uma conta em atraso registada no banco de dados; 30% declaram possuir entre 2 ou 3 contas e 21% possuem 4 contas ou mais. A maioria (33%) das dívidas não pagas, de acordo com os consumidores entrevistados, está abaixo de R$500,00, mas 19% afirmam possuir dívidas abertas acima de R$5.000,00. Outros 33% entre R$500,01 e R$2.000,00 e 15% entre 2.000,01 e 5.000,00.

Meios de pagamento e causas da inadimplência

A pesquisa mostra que 28% dos consumidores entrevistados declaram ter alguma restrição gerada por uma compra realizada com cartão de crédito. Na sequência são citadas as restrições com carnê/boleto (27%); cheque sem fundo (18%); empréstimo pessoal (14%); cartão de loja (7%) e, por último, aparece o cheque especial (6%).

Nas faixas de renda familiar de 3 a 10 salários mínimos, a porcentagem de consumidores que declaram o cartão de crédito como causador da restrição atinge 28%, e nas faixas acima de 10 salários mínimos 22%, uma diferença maior comparada ao trimestre anterior, quando representavam 28% e 25% respectivamente. Para as faixas acima de 10 salários mínimos, o maior causador é o carnê/boleto (33%).

Três itens se mostraram igualmente importantes quando a pergunta se refere ao produto ou serviço que causou a inadimplência. Para 15% dos entrevistados, uma das dívidas não pagas se originou da aquisição de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.

Outros 15% citam a compra de vestuário e calçados como os causadores das dívidas, 14% citam a compra de produtos ou serviços relacionados à alimentação e, para 9%, a origem foi pelo não pagamento de contas de concessionárias de serviços públicos. Para a faixa de renda acima de 10 salários mínimos os gastos com a alimentação são os que ocasionaram a dívida para 19% dos pesquisados, e para 17% na faixa de até 3 salários mínimos. Também na faixa de até 3 salários mínimos a compra de itens de vestuário e calçados gerou a dívida para 17% dos consumidores. A aquisição de móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos ocasionou a dívida para 15% dos consumidores na faixa de 3 a 10 salários mínimos.

Condições de pagamento e endividamento

Do total dos entrevistados, 8% dos inadimplentes declaram que não terão condições de pagar suas contas em atraso. Dos outros 92% dos consumidores que possuem restrição e esperam ter condições de pagar a dívida, total ou parcialmente, 41% deles pretendem pagar à vista e 59% de maneira parcelada. Destes que esperam negociar as parcelas, 75% pretendem pagar dentro dos próximos 30 dias, 15% entre 30 e 90 dias, e 10% pretendem negociar prazos superiores a 90 dias.

Quando perguntados sobre o nível de endividamento e o comprometimento da renda das famílias com o pagamento das dívidas, 22% dos consumidores inadimplentes se declaram muito endividados, 30% acreditam estar mais ou menos endividados e 35% se declaram pouco endividados. Enquanto isso a parcela de pessoas que declaram não ter dívidas caiu de 20% para 13%.

Quanto à parcela da renda comprometida com dívidas (somando todas as dívidas, tanto as anotadas no banco de dados quanto as que não constam) 18% declaram que mais da metade da renda familiar mensal está comprometida com o pagamento de dívidas. Esse número era de 19% em março de 2013. 46% declaram que até 25% da renda está comprometida com o pagamento de dívidas e 37% declaram ter entre 25% e metade da renda familiar comprometida.

Situação atual e expectativas

Em relação à situação atual, 29% dos entrevistados declaram que as dívidas aumentaram e para 35% diminuíram as dívidas. Os mesmos números foram obtidos no primeiro trimestre deste ano.

Diminuiu também a proporção de inadimplentes que julga que a sua situação financeira é melhor hoje do que no ano anterior. Em dezembro de 2012 eram 64%; em março esse número caiu para 56% e passou para 49% em junho de 2013. A proporção dos que acreditam que a situação está pior se manteve em 18%. A porcentagem dos inadimplentes que acredita que a situação financeira estará melhor no próximo ano se manteve praticamente a mesma se comparada a março de 2013, passando de 89% para 87% agora em junho de 2013. Em dezembro de 2012 este otimismo era superior (92%).

Acesse o arquivo com os gráficos da pesquisa na íntegra.

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