Mais consumidores apontam desemprego como principal causa da inadimplência

Descontrole financeiro recua 5% e fica em segundo lugar; o “empréstimo do nome” permanece como a terceira principal causa; mas 100% dos consumidores acreditam que conseguirão acertar as suas contas

Aumentou para 34% a parcela de inadimplentes entrevistados pela Boa Vista Serviços, administradora do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) que citam o desemprego como a maior causa da inadimplência. A declaração de que o desemprego foi o responsável pela inadimplência cresceu quatro pontos percentuais em relação à pesquisa do segundo trimestre de 2013. A tradicional pesquisa de balcão do SCPC observa a cada trimestre o perfil do consumidor inadimplente, e foi realizada de 9 a 17 setembro, ouvindo cerca de 1.116 consumidores.

A menção ao descontrole financeiro como causa da inadimplência recuou, passando de 28% no segundo trimestre deste ano, para 23%. Em terceiro lugar, os entrevistados declaram o empréstimo do nome a terceiros (11%) como o motivo da inadimplência.

O desemprego é a causa preponderante nas faixas de renda familiar de até 3 salários mínimos (42%) e para as faixas entre 3 e 10 salários mínimos (32%). Para as faixas acima de 10 salários mínimos, o motivo da incapacidade de pagamento continua sendo o descontrole financeiro (25%), segundo afirmação dos entrevistados.

Meios de pagamento e causas da inadimplência

Dos consumidores entrevistados, 30% declararam ter alguma restrição gerada por uma compra realizada para pagamento com carnê/boleto, ultrapassando o cartão de crédito (28%). Após dois anos as restrições com carnê/boleto voltarem a ser as mais mencionadas. Em seguida temos restrições com cheque sem fundo (17%), empréstimo pessoal (12%), cartão de loja (8%) e cheque especial (6%).

Nas faixas de renda familiar de até 3 salários mínimos, a porcentagem de consumidores que declararam o carnê/boleto como causador da restrição atinge 31% e 29% nas faixas entre 3 e 10 salários mínimos.

Dois itens se mostraram igualmente importantes quando a pergunta se refere ao produto ou serviço que causou a inadimplência. Para 19% dos entrevistados as dívidas não pagas originaram-se da alimentação. Da mesma forma, 19% citaram a compra de vestuário e calçados como os causadores das dívidas; 17% mencionaram o não pagamento de contas com concessionárias públicas, e, para 16%, a origem foi a aquisição de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.

Para a faixa de renda acima de 10 salários mínimos, os gastos com vestuário e alimentos foram o que ocasionaram a dívida (22%); para a faixa de até 3 salários mínimos foram os gastos com alimentação (21%) e compra de itens de vestuário e calçados (21%), enquanto na faixa entre 3 e 10 salários mínimos foi a alimentação (19%).

48% dos inadimplentes declaram possuir apenas uma conta em atraso que causou a restrição; 34% declaram possuir entre 2 ou 3 contas e 18% possuem 4 contas ou mais. A maioria (51%) das dívidas não pagas está abaixo de R$1.000; mas 17% possuem dívidas abertas acima de R$5.000,00, 17% entre R$1.000 e R$2.000 e 16% entre 2.000 e 5.000.

Condições de pagamento e endividamento

Pela primeira vez desde 2011, quando essa pergunta foi incluída na Pesquisa do Perfil do Inadimplente, 100% dos consumidores acreditam que terão condições de pagar suas dívidas, total ou parcialmente. 44% deles pretendem pagar à vista e 56% de maneira parcelada. Destes que esperam negociar as parcelas, 59% pretendem pagar dentro dos próximos 30 dias, 19% entre 30 e 90 dias, e 22% pretendem negociar prazos superiores a 90 dias.

Quando perguntados sobre o nível de endividamento e o comprometimento da renda das famílias com o pagamento das dívidas, 22% dos consumidores inadimplentes se declaram muito endividados, 30% acreditam estar mais ou menos endividados e 32% se declaram pouco endividados. Enquanto isso a parcela de pessoas que não têm dividas aumentou de 13% para 16%.

Quanto ao comprometimento de renda, 16% declaram que mais da metade da renda familiar mensal está comprometida com o pagamento de dívidas. Esse número era de 18% em junho de 2013. 47% declaram que até 25% da renda está comprometida com o pagamento de dívidas e 37% declaram ter entre 25% e metade da renda familiar comprometida.

Situação atual e expectativas

29% dos inadimplentes entrevistados declaram que as dívidas atuais aumentaram em relação ao ano passado. Para 35% permaneceram estáveis e para 36% diminuíram. Diminuiu a proporção de inadimplentes que julga que a sua situação financeira é melhor hoje do que no ano anterior. Em março de 2013 eram 56%, em junho esse número caiu para 49% e passou para 47% em setembro de 2013. A proporção dos que acreditam que a situação está pior recuou, passando de 18% para 13%.

A porcentagem dos inadimplentes que acredita que a situação financeira estará melhor no próximo ano se manteve praticamente a mesma se comparado a junho de 2013, passando de 87% para 85% agora em setembro de 2013.

Nota metodológica

A Pesquisa do Perfil do Inadimplente, administradora do SCPC, é uma pesquisa quantitativa, realizada com consumidores que buscaram orientação no balcão do SCPC em São Paulo, capital. As entrevistas foram feitas presencialmente de 09 a 17 de setembro de 2013, com 1.116 consumidores. Os resultados devem ser lidos considerando-se 95% de grau de confiança e margem de erro de cerca de 3%. A pesquisa é realizada trimestralmente, desde 2005.

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