Câmbio pode reduzir impactos positivos sobre a inflação

Por Marcel Augusto Caparoz, da RC Consultores

A variação do IGP-M (1º decêndio) de junho foi de 0,43%, acima do valor registrado no mês anterior de 0,03%. Este resultado é fruto da forte alta de 2,40% do INCC (índice da construção civil), em função do dissídio da mão de obra, que registrou alta de 4,03% no mês, alcançando uma variação acumulada em 12 meses de 10,92%. No acumulado em 12 meses, a inflação da mão de obra só fica atrás dos Alimentos no IPC, com alta de 12,84%.

Estes números resumem de maneira clara as principais causas da pressão inflacionária deflagrada em 2013. Primeiro, a explosão dos preços dos alimentos que alcançaram patamares muito acima dos registrados nos últimos anos, mas que já começam a reverter. Segundo, pela forte alta dos salários, que em conjunto com o maior acesso ao crédito, favoreceu o crescimento do consumo interno, pressionando principalmente os preços dos serviços. Aliado a isso temos ainda o alto nível de indexação da economia, que contribui para o processo inflacionário. A queda recente dos preços das commodities, a redução do nível de atividade no Brasil e o endurecimento monetário iniciado pelo BC jogarão a favor de uma inflação mais comportada. O atual processo de desvalorização do Real, no entanto, poderá minimizar esses impactos.

Ed.204

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