“Nova política econômica” ainda indefinida

Por José Valter Martins de Almeida, da RC Consultores

O primeiro pregão depois da reeleição da presidente Dilma fechou com queda de 2,56%, a mínima do dia chegou a ser de 6%. O dólar encerrou o dia cotado a R$ 2,53. Na abertura dos mercados as duas principais estatais chegaram a cair 15%, a maior queda desde 2008. Hoje a bolsa brasileira abriu com alta de 2% e o dólar cotado a R$ 2,49, com queda de 1,05%. O ajuste de segunda já era aguardado pelo mercado e, como indica a abertura hoje, fortes reajustes da continuidade da alta do dólar e queda da bolsa não devem prosseguir. Isso não significa, porém, que os próximos dias serão de calmaria.

A expectativa é de grande volatilidade dos mercados, até que o governo dê alguma sinalização de como e o que pretende fazer para reorganizar a economia. O programa de governo e os últimos discursos da presidente não trazem sinais de como será a “nova política econômica”. Tudo indica que o câmbio flutuante administrado garantirá uma gradual desvalorização, alguns preços monitorados terão ajustes mais lentos, a política industrial se manterá a mesma, com a ampliação do repasse de recursos subsidiados via BNDES, e as desonerações tributárias serão apenas pontuais. A participação do Estado na economia deverá ser mantida e a política de estímulo ao consumo não deverá ser alterada. No final do dia, haverá pouco espaço para um necessário ajuste fiscal. E esse ajuste, se vier, será feito, como atualmente, mais por meio de aumento de impostos do que por corte de gastos. Para o próximo ano, o risco de rebaixamento do rating soberano não é baixo, embora a perda de grau de investimento ainda não esteja no radar. Para começar, será preciso conhecer o nome do novo Ministro da Fazenda.

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