O que nos diria hoje a "Dama de Ferro"?

Por Paulo Rabello de Castro, da RC Consultores

Perguntar aos mortos é, às vezes, mais fácil do que conversar com os vivos. Ao falecer hoje, Margareth Thatcher merece nossas breves linhas em destaque do exemplo que deixou: ousar quando a vontade é de recuar; tentar o impossível como se fosse algo simples de fazer acontecer. Com esse lema, Thatcher deu um basta ao declínio britânico no fim dos anos 1970, com inflação em 20% e 3 milhões de desempregados. Cortou despesa pública e fez recuar o esclerótico Estado empresário. Impôs a fórmula de prudência econômica e fiscal que parecia impossível num ambiente dominado pelas demandas de grupos, os mineiros de carvão, os servidores públicos a seu próprio serviço, a indústria britânica esmagada pela competição e a moeda abalada por inflação e ação de especuladores, como George Soros.

Os desafios de ontem são os mesmos de hoje, com outras tintas e atores. O mundo entra no quinto ano de não-ajustamento, pois as lideranças preferem fazer afrouxamentos monetários, o mais recente sendo o do Japão, alardeado como “solução”. Emissão monetária desmedida não cria riqueza tangível. Tampouco o resgate ilimitado do sistema bancário. Muito menos a manutenção de gastos que uma sociedade não consegue mais bancar. E, do mesmo modo, a crescente desigualdade social e a evasão de impostos pelos ricos. Todas essas distorções mereceriam desaprovação de Thatcher. No entanto, a qualidade principal da Dama de Ferro não estava em saber reprovar, mas em saber propor e executar. Por isso, virou o jogo no seu país recolocando uma Inglaterra decadente e perdida no seu devido lugar. Foi, de fato, uma Mulher de Ouro, por ter criado tanta riqueza para seu país e tantos exemplos positivos para o mundo.

Ed.159

 

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